segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Regra da exceção

O presidente eleito barra numa coletiva de imprensa representante de jornais que ele não gosta e informa que vai retaliar a Folha de São Paulo, a quem acusa de difundir notícias falsas.
Por Arimatéia Azevedo
O governador eleito do Rio, ignorando a proibição da pena de morte, quer abater bandidos armados com tiros na cabeça, enquanto o governador eleito de São Paulo anuncia a disposição de pagar os melhores advogados para policiais que matarem bandidos. Há nestas três atitudes dos senhores Jair Bolsonaro, Wilson Witzel e João Dória uma sinalização autoritária como nunca houve em tempos democráticos neste país. O caso de Witzel é ainda mais preocupante, porque ele quer execuções por policiais, sem responsabilização. É como instituir a pena de morte por uma instrução normativa assinada pelo chefe imediato, ao arrepio do que estabelece a Constituição Federal, que expressamente veda a pena de morte, a não ser em caso de guerra. Witzel, um ex-juiz federal, certamente sabe muito bem que a regra constitucional impede o que ele propugna, mas ao fazê-lo trilha o caminho do populismo e, pior que isso, incentiva a prática formal dos justiçamentos e sabemos que isso nem de longe é Justiça. Há, sim, o risco de o país caminhar para práticas autoritárias com beneplácito da autoridade eleita para justamente fazer o país caminhar na direção de democracia, não o contrário.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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