terça-feira, 6 de novembro de 2018

Terra elétrica

Por Arimatéia Azevedo
Figurões da política do Piauí, com acesso a informações privilegiadas, teriam adquirido terras ao longo das linhas de transmissão em alta tensão (500 mil e 750 mil volts) que cortam o Estado, interligando os sistemas elétricos do Norte ao restante do país. As terras cortadas por estes “linhões” valem pouco ou quase nada (ou melhor, valiam), posto que boa parte delas está no semiárido piauiense, onde produzir requer elevado investimento em irrigação e outras tecnológicas agrícolas – ou onde sequer se pode produzir, dada a falta de água na maior parte do ano. Por que então, alguém compraria milhares de hectares de uma terra ordinária, que nada vale? Bem, com informação privilegiada se ganha dinheiro. É o que parece estar ocorrendo. Funciona assim: o espertalhão sabe que as empresas de produção de energia solar e eólica sempre vão preferir instalar suas plantas de geração em áreas ao longo das linhas de transmissão. Isso porque o custo de transmissão se reduz, já que no
desenho elétrico brasileiro toda a energia é lançada no Sistema Integrado Nacional (SIN), do Operador Nacional do Sistema (ONS). Ora, se a criatura sabichona tem terras ao longo das grandes linhas de transmissão e é nesse espaço que as geradoras querem instalar suas plantas, a locação das terras pode gerar uma fortuna em contratos de até 20 anos, que podem enriquecer pessoas que tiveram acesso antecipado às informações privilegiadas sobre onde as linhas seriam construídas e, assim puderam comprar terras ao longo delas. Isso é uma desonestidade grande.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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