terça-feira, 25 de dezembro de 2018

É UM IRMÃO

Por Wilton Porto 
Para Eliana Porto e Monaliza Nathália
Três dias antes do Natal
eu minha família
nos esbaldamos em degustar pizzas.
Conversamos
sorrimos
fomos felizes sem igual.
A felicidade era tanto
que nos despreocupamos com o lá fora!
A fome, a injustiça, 
toda podridão que se lê em jornal!

Ao voltarmos para casa
deparamos com um homem
que catava comida, em desespero,
Nos sacos de lixo de uma rua.

Das pizzas que levávamos
junto, muito refrigerante,
sob as lágrimas incontidas de minha esposa,
vimos aquele devorar o alimento,
como se há um século não comesse,
e agradecendo como se fosse o próprio Cristo.

Adiante, uma mão estendida.
Ele queria que fosse uma moeda!
Eliana, já Coração entre os dedos,
Pegou um punhado de dinheiro
que não sabemos o quanto
depositou da mão do pedinte
que agradecido se derrama em lágrimas.

Se o mundo soubesse realmente
o significado de Natal nos dias de hoje
faria das mãos uma manjedoura solidária
sairia de rua em rua
com os olhos luzentes
limpava as lágrimas do irmão decaído

enchia-lhe o bucho
com um punhado de pão
veria que anjos com clarinetes em punho
se derramam solícitos
em nome dos Céus.
É Cristo tão grato
tão doce
tão riso.
Riso que lava de luz toda a Terra
Edição: Mário Pires Santana

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