quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

O perdão aos caloteiros

O primeiro sinal de que Jair Bolsonaro não terá tanta dificuldade dentro do Congresso Nacional foi dado semana passada.
Por Arimatéia Azevedo 
Ao assumir, a partir de primeiro de janeiro, o presidente tratará de perdoar uma dívida rural de mais de R$ 17 bilhões. Há um segmento considerável de deputados e senadores pendurados há anos nos bancos oficiais por conta de fabulosos empréstimos que tomaram, a pretexto de investimento no setor, mas seguramente, esse dinheiro, raríssima exceção, foi destinado a outro fim não tão muito nobre. No Piauí, feitas as contas, há pelo menos uma dezena de parlamentes no cadastro de devedores a instituições como o Banco do Nordeste do Brasil, sem contar outros produtores rurais no mesmo rolo. Contraíram dívidas sob pretexto de plantar cítricos, fazer mudas, sementes, enfim, e pelo que se tem visto, a finalidade foi desviada. Não é segredo, alguns amealharam propriedades, apartamentos luxuosos; outros, fazendas de gado no estado e fora dele. Quando Bolsonaro acena com o perdão dessas dívidas já demonstra que dentre os devedores terá um parlamentar camarada, sem precisar negociar na linha abaixo da República com os partidos. Bolsonaro vem sofrendo pressão de setores do agronegócio desde a campanha, e, como promessa é divida, deve ceder, mesmo correndo o risco de ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e afrontar diretamente o Supremo Tribunal Federal. Mas certamente fará a alegria de centenas de políticos caloteiros.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana 

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