sábado, 19 de janeiro de 2019

Cheiro de podre

Por Arimatéia Azevedo

A pressa com que a Prefeitura de Parnaíba tem atuado para municipalizar o serviço de água e saneamento na cidade, bem assim repassar a operação para uma empresa privada, tem aquele forte odor de podre. Há evidentemente algo que deva minimamente levantar dúvidas e suspeitas, bem como levar organismos de fiscalização e controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado a agir com premência para evitar que haja dano coletivo. Na queda de braço da Prefeitura com a Agespisa, para que a segunda repasse imediatamente o controle da operação ao município, o interesse público é até aqui a primeira vítima em potencial. Neste caso, fazem-se sensatas as palavras do secretário de Governo, Merlong Solano, que em boa hora reconheceu o direito legítimo da Prefeitura de Parnaíba reclamar para si a operação do sistema, assim como a possibilidade de repassá-la à iniciativa privada. Só que não se faz isso a toque de caixa. Convém que se sigam trâmites legais e de transparência, porque a Agespisa, parte interessada, investiu dinheiro em um sistema que não atende somente à cidade de Parnaíba, mas também Luís Correia, além de estar investindo em uma adutora que vai levar água de suas estações de tratamento em Parnaíba para as cidades de Ilha Grande e Cajueiro da Praia – o que indica que é preciso consultar os demais municípios e ainda indenizar a estatal de saneamento pelo investimento. Em uma expressão, pode-se dizer que a ideia de municipalizar o serviço a qualquer custa já nasceu fazendo água.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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