domingo, 20 de janeiro de 2019

DOSSEL DA PRIMAVERA INVISÍVEL

Por *Diego Mendes Sousa
Há muito,
a mocidade das quimeras
acena a sua dor de beleza
estrangulada.

O pequerrucho recolhera
jambos, carambolas e pitangas 
na miragem do passado.

- Estrelinhas, de preferência as amarelas!
E a boca avermelhada pelo perfume azedo 
dos frutos caídos de maduro, agora lembro,
na estrada que levara a sua tristeza luzidia
até o estirão do rio da sua infância alegre.

Guarda em segredo a folhagem 
que a vida espalha fugidia 
sobre a invisível aragem 
no andamento do mistério eterno.

E os sonhos são pedrarias
atiradas na clareira da alma 
em travessia.

Há muito,
e é em demasia o Tempo de Deus,
o horizonte sob tempestades 
sempre se rasgara em clarões.

A criança vira, espantada,
a artilharia da poesia furiosa 
a sangrar os seus olhos de cereja
na galantaria de um nevoeiro
- que cercara o coração amargo
e os cavalos despencaram
na aurora da serrania em magia
que circundara o jasmineiro
do seu quintal hoje esquecido.

A primavera é transitória
e passageira, bem sei de mim,
no mar que naufrago balzaquiano
as palavras temporãs!
Todavia a floresta interior 
respira jovem!

Vem
e levanta e caminha e mira
e apossa a terra de dentro,
pequenino,
que a febre do seu retiro acre 
de girassóis e de xananas 
e de outras doces florezinhas reveladas
- assim como a tarde precoce que morre -
também suporta silêncios que sofrem.
*Advogado, jornalista, escritor, indigenista 
Poema de Diego Mendes Sousa
Pintura de Diego Rivera
Edição: Mário Pires Santana

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