quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O FRIO BAFO DO INVERNO PREMATURO EM GRAVIDADE DAS XANANAS

Por Carolina Ramos
Jovem ainda, Diego Mendes Sousa é alguém cuja alma, pela voz da poesia, ultrapassa a própria faixa etária para ingressar no coral de vozes maduras, não como “estranho no ninho”, mas com a afinidade carinhosa e admirativa que por elas sente.
A poesia de Diego Mendes Sousa, em "Gravidade das Xananas" (Editora
Penalux, 2019), é livremente inquieta, predominantemente pessimista, ao permitir que transpire certa insatisfação. Chega a inquietar a quem, de alma aberta, ante a juventude do autor, lá espera encontrar o sol de verão, a amenidade do outono e o doce perfume da primavera, e tropeça num paradoxo, ao sentir o frio bafo do inverno prematuro, que lhe chega, de surpresa, em cada verso.
Diego Mendes Sousa nunca será um poeta popular, como alguém já o disse, e ele mesmo confessa, mas sempre será o Diego, contestador, inovador, de alma triste, “escura e nebulosa”, que exige o máximo de atenção aos que pretendam interpretar seus textos e extrair deles o valor que resguardam. Depoimento de Carolina Ramos (1924-), considerada, pela crítica especializada, a maior Trovadora do país, premiada na Academia Brasileira de Letras por Austregésilo de Athayde, inclusive, e filha de Santos, São Paulo.
Fotografia de Carolina Ramos, aos 94 anos de idade.
Edição: Mário Pires  Santana

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários são de responsabilidade de seus autores, e não refletem, de maneira nenhuma, a opinião do redator deste portal.