terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Olha o bode fedorento

Por Arimatéia Azevedo
 
Essa triste e lamentável tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas, serve de alerta, principalmente para as nossas autoridades em relação às diversas barragens piauienses. Tem um relatório da Agência Nacional de Águas, conhecido desde o ano passado, que aponta 31 barragens classificadas na chamada Categoria de Risco. Isso é mais ou menos que alertar ao governador Wellington Dias que tem gente querendo colocar um bode fedorento em sua sala. Este jornalista tem chamado a atenção do risco iminente em duas dessas barragens, a do Emparedado, em Campo Maior e a do Bezerro, em José de Freitas, com problemas em suas paredes. Tem também sérios problemas no Caldeirão, em Piripiri, prejudicado com a erosão na estrada. Tudo isso é muito perigoso. Por causa da irresponsabilidade de auxiliares do governador, a barragem de Algodões rompeu, matou mais de uma dezena de pessoas, feriu outras dezenas, deixou um rastro de grandes prejuízos para os moradores e tanto o governador como seus assessores foram denunciados e respondem criminalmente a processos na justiça. Não custa frisar aqui que eu cheguei a ser processado por um desses engenheiros que disse que rasgaria o diploma se a barragem rompesse. Dizendo isso para o governador, ele fez o então prefeito Ferdinand retornar todo o povo para suas casas, e uma semana depois a barragem rompeu. No dia da audiência, na 9ª. Vara Criminal, o tal engenheiro terminou confessando: “todo mundo sabia que aquela barragem iria romper”. E o descarado querendo processar quem estava falando a verdade. Isto é, ele acabava de confessar o crime pelo qual está me processando. Um mês depois, a juíza Valdênia Moura, numa atitude digna de uma magistrada isenta, retirou essa parte em que ele confessava e encaminhou ao Ministério Público para que fosse investigado e denunciado. Da ação por ele movida, fui absolvido e o tal encontra-se às voltas com o Ministério Público. Portanto, está na hora de o governador de rever com seriedade, todos esses problemas. O povo que mora no entorno dessas barragens, não pode pagar a conta da irresponsabilidade dos gestores públicos.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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