quinta-feira, 7 de março de 2019

Raskolnikov: a angústia do crime perfeito

Por *Arimatéia Azevedodo 
Aproveitando o período carnavalesco, longe da badalação e lendo ‘Crime e Castigo’ (de Fiódor Dostoievski), por orientação de um mestre em Direito Penal, extraio essa espetacular história do personagem Raskolnikov, no qual o autor, profundo conhecedor da gênesis da alma humana, ao formatar a psiquê do personagem, que é um relapso estudante de Direito, e que prosaicamente, se considera um ser humano superior aos outros mortais, dotou-o de características peculiares: racionalista, frio, calculista, introspectivo, autodeterminado. Ao ponto de, quando é questionado pela dona da fétida pensão onde residia em San Peterburg, por que ele não faz nada na vida, retruca: “faço a atividade mais difícil – penso”. Raskolnikov, sem nenhuma ajuda de quem quer que seja, planeja e executa o crime perfeito. Assassina uma agiota e uma irmã dela, que tinha déficit comportamental (à época chamada de débil mental). O objetivo do duplo assassinato é roubar dinheiro e joias. Não deixa vestígios que sejam desvendados pela perícia criminal. Nas tensas centenas de páginas de Crime e Castigo, Raskolnikov reflete entre o que entende por ‘o certo e o errado’, o ‘correto e o incorreto’, o ‘ético e o antiético’. O epicentro de suas dúvidas o leva à exaustão física e moral. No enredo surge a prostituta Sônia, uma personagem que o convence a considerar a possibilidade da confissão dos seus crimes. Febril, sem conseguir dormir ou alimentar-se, atormentado, decide confessar o crime. De repente, inesperadamente, uma onda de tranquilidade, leva-o a um profundo sono (nunca antes conseguido). Para Dostoievski, assumir e confessar o crime praticado compensa. Alivia a alma.
*Irreverente, verdadeira e sem cortes. A principal coluna política do Piauí, que não se prende a pauta do dia a dia.
Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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