domingo, 21 de abril de 2019

FLORESTAN: ESPERO QUE A ENTREVISTA DE LULA SEJA O INÍCIO DE UM PROCESSO DE DISTENSÃO

O jornalista Florestan Fernandes Júnior será o primeiro a entrevistar o ex-presidente Lula após sua prisão; ele também opinou sobre qual será a mensagem central do ex-presidente; "Ele é um pacificador, não é um incendiário", disse; "Espero que comece um processo de distensão, porque a gente está cansado, a população está cansada de muita falação de política e de pouca resolução da sua vida, de uma sociedade que vive alimentada pelo ódio, pela desunião", afirmou.
Por Brasil 247

O jornalista Florestan Fernandes Júnior, juntamente com a jornalista Mônica Bergamo, será o primeiro a entrevistar o ex-presidente Lula após seu encarceramento em Curitiba há mais de um ano.
Florestan, que integra o projeto Jornalistas pela Democracia, conta que a autorização para a entrevista partiu de um pedido para a liberdade de exercer seu direito como jornalista. "Eu entrei em contato com o escritório do Cezar, que foi presidente da OAB, e a gente conversou e eu tenho muitos amigos juristas e advogados e eles me disseram: 'olha, você tem que pedir o seu direito, não o direito do ex-presidente, eles estão cerceando o seu trabalho como jornalista, você tem que alegar isso, é isso que eles terão que analisar: o direito do jornalista exercer sua profissão'".
O jornalista contou que a entrevista renderá uma matéria escrita, mas que também haverá um vídeo com a íntegra da conversa. "No despacho do Lewandowski previa equipe de TV, eu tenho que entrar com uma equipe. Como eu fiz com a entrevista com o Ciro Gomes no início do ano, tinha o texto e tinha a entrevista na íntegra que o pessoal pôde assistir. O modelo é mais ou menos parecido, vamos fazer uma matéria escrita e o vídeo".
Questionado sobre qual seria a mensagem central de Lula à população, Florestan apostou em um discurso de conciliação. "Ele é um pacificador, não é um incendiário. Eu acho que ele é o cara da conciliação e aprendeu isso, eu acho, com Ulisses Guimarães e com o próprio Tancredo Neves na campanha das Diretas Já. O Lula aprendeu, nesse momento de transição como líder operário, a negociar com as multinacionais, negociar com o centro, aprender que a política se faz somando e não dividindo, então assim, o que eu espero é que ocorra um movimento parecido, o Brasil precisa disso".
O jornalista confia que essa entrevista possa se tornar um ponto de virada no rumo do país. "Eu espero que comece um processo de distensão, porque a gente está cansado, a população está cansada de muita falação de política e de pouca resolução da sua vida, de uma sociedade que vive alimentada pelo ódio, pela desunião. O Brasil precisa se encontrar, a gente não pode estar dividido da maneira que o país foi, nós estamos dividos ao meio. A gente não deve entrar em conflitos com outros países, o Brasil precisa resolver seus próprios conflitos internos, nós precisamos fazer uma política externa mais ativa, mais profissional e menos ideológica, isso está trazendo prejuízo para o Brasil".
Mais que o direito de liberdade de expressão, Florestan diz que Lula tem direito de ser ser livre. "Um homem com mais de 70 anos de idade, que viu o irmão morrer de dentro de uma cela, o neto morrer de maneira dramática e ser levado ao velório com um aparato como se ele fosse um bandido extremamente perigoso, sendo que uns dos agentes que portava uma arma na frente do Lula era o mesmo agente que fazia a segurança do Bolsonaro na campanha. É tudo muito afrontoso, imagino que o Lula guarda marcas profundas disso tudo que está acontecendo".
Florestan também citou a operação Lava Jato, disse que a população não pode se tornar refém da ação e que Lula tem de estar na mesa para retomar o crescimento do país. "Ele tem que ser um dos participantes, o país tem que mostrar que nós não estamos mais na República de Curitiba, o país não pode ficar refém de uma operação chamada Lava Jato, que quer se preservar agora no poder central. Temos aí uma boa parte desses juízes de primeira instância participando do governo do capitão e querendo ter a primazia de fazer política da maneira como eles vinham fazendo, que é péssima. Juiz não tem que se meter em política dessa maneira também, não pode comprometer as instituições como estava ocorrendo".
Fonte: Brasil 247
Edição: Mário Pires Santana

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