sábado, 11 de maio de 2019

O golpe está no ar

A próxima semana talvez seja decisiva na História do Brasil. O próprio presidente Bolsonaro já admitiu que seu governo atravessará por um tsunami em breve.
POR *CARLOS D'INCAO
Vejamos as forças que se unificam contra o atual governo:
1 - O empresariado já percebeu que esse governo não possui qualquer projeto para a recuperação econômica;
2 - Os setores sociais estão se organizando em uma enorme greve geral no dia 15, depois de escandalosos cortes na área da educação e devido à insistência do governo em aprovar uma reforma da previdência predatória a praticamente todo o país;
3 - A base do governo no Congresso e no Senado não está articulada e a cada dia aumenta a dissidência do "centrão" dos perigos que o apoio a Bolsonaro pode significar a curto prazo;
4 - As forças armadas começam finalmente a perceber que apoiaram não um candidato pró-militares, mas um candidato pró-milicianos.
5 - A grande imprensa reconhece hoje que não há diálogo com esse governo, fechado de forma definitiva com os setores evangélicos de Rádio e TV.
Apenas aqui já teríamos uma força significativa para o desgoverno e o caos instalado em toda a nação. E é exatamente isso que vemos pelas ruas...
Mas o ponto mais nevrálgico no atual momento em que vivemos, reside no ponto 4.
Nunca na História desse país o exército foi tão humilhado por um presidente como ocorre hoje. Através de seu rasputin de botequim - Olavo de Carvalho - Bolsonaro passa o seu verdadeiro apreço aos generais, do seu vice até os demais que assumiram postos importantes na máquina pública.
Ao conceder a máxima honraria da Ordem de Rio Branco para o seu Rasputin, Bolsonaro acabou por torná-lo seu verdadeiro porta-voz.
Ora, se os generais podem ser vilipendiados e humilhados de maneira tão chula por um débil mental que conta com o apoio de outro débil mental que ganhou o mandato de presidente, como esses mesmos generais podem exigir respeito das fileiras de menor patente dentro do próprio exército?
Quando o soldado e o cabo percebem que o generalato não se dá ao respeito, o apoio das forças armadas cai no colo dos coronéis... E todo coronel sonha em ser general, tanto quanto os generais sonham em ser Napoleão...
Por outro lado, ou os generais honram seus títulos e destituem aqueles que o humilham perante a sociedade ou a sociedade não respeitará mais o exército.
Quando a humilhação parte de um traidor - como é visto Bolsonaro pelos próprios generais - sem capilaridade nenhuma na sociedade civil e com baixa popularidade, o que vemos é uma deposição sem que qualquer cachorro lata nas ruas.
Após uma deposição temos o que? Deposição não existe senão na morosa forma da lei... o país não aguenta mais um impeachment... novas eleições seria colocar o PT de volta no poder e essa lucidez a elite está longe de alcançar... Então... Mourão assume e fica de forma ilegítima... esse parece o sabor favorito na sorveteria dos golpistas...
De uma forma ou de outra alguma coisa precisa acontecer no Brasil. E rápido! Não há paciência quando falta pão na mesa daquele que trabalha. O índice Bovespa e o valor do câmbio são irrelevantes para a classe média que está caminhando para a insolvência absoluta.
Desde o Golpe de 2016 vivemos na anormalidade... e o problema disso é simples: não há limite para aquilo que é anormal. Esperamos por tudo, inclusive qualquer coisa.
No fim, alguém terá que se dirigir para a capital e dizer em baixo som: "Brasília bem vale uma missa..."
Grifos do Editor
*Carlos D'Incao é historiador
Fonte: Brasil 247
Edição: Mário Pires Santana

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