quarta-feira, 22 de maio de 2019

Samba e funk: da favela para Marte

Apesar do estouro Brasil a fora, o movimento passou por uma ressignificação para melhor aceitação das variadas classes sociais.
Por *Professor Robert

De João Nogueira a Mumuzinho. De Tati Quebra-Barraco a Valesca Popozuda. A nova e velha geração do samba e do funk saiu dos morros cariocas e viralizou mundo a fora. O funk tem chamado a atenção por sua forte aceitação no cenário internacional. Sua batida contagiante agrada pessoas de diferentes povos, e já ganhou até destaque na Time Square, com a divulgação do single Vai Malandra, da cantora Anitta, promovido pelo Spotify, além de ser escutado na voz de grandes celebridades internacionais, como J-Lo, na música El Anillo, e, em breve, na voz de Madonna, em Faz Gostoso. 
Falando em fronteiras, o samba Coisinha do Pai, de Beth Carvalho, foi tocado até mesmo em Marte, com a finalidade de acordar o robô Soujorner, que integrava a missão Mars Pathfinder, criada pela Nasa para explorar a superfície do planeta. Toda essa popularidade se dá, em grande parte, por conta da facilidade gerada pelo surgimento das novas mídias, como YouTube e Spotify. Por outro lado, a disseminação do movimento samba-funk ocorre devido aos fluxos migratórios internos e intensos, principalmente entre as metrópoles e cidades de pequeno e médio porte. Na visão do professor da Faculdade
UNINASSAU Parnaíba, Robert Oliveira, que é Cientista Social e mestre em Antropologia, esses fluxos migratórios permitiram trocas de experiências culturais onde o samba e o funk são emblemáticos. “Deste modo, entende-se como tais ritmos ultrapassam as fronteiras das margens das favelas cariocas e chegam ao Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Por este motivo, também não surpreende quando encontramos escolas e desfiles de samba em cidades médias do Nordeste, assim como bailes funks nas noites das periferias de Manaus”, aponta o professor.
O passado do samba-funk, enquanto movimento artístico, cultural e social, carrega a marca de grupos historicamente colocados à margem da sociedade e se apresenta como marca importante da expressão que representa populações negras e periféricas dos centros urbanos. É um movimento de resistência, que conseguiu se estabelecer nos últimos anos como um dos mais executados no Brasil, tendo até variações em regiões do país, como o funk brega, em Pernambuco.
Entretanto, tal aceitação no Brasil e no exterior se deve ao fato da reformulação de seus conteúdos originais que, se no passado remontavam à criminalidade e às drogas, hoje transformou-se no estilo ostentação e na promoção da autoestima.
Na visão do professor Robert, o funk, principalmente, passou por um intenso processo de embranquecimento para melhor aceitação. “Uma hipótese que sustentou é que, ao sair da favela para o universo social brasileiro, o funk passou por um crivo linguístico, ético e estético que o purga daquilo que desde a década de 80 e 90 é visto como indesejável, vulgar, imoral e marginal”, aponta.
Ainda que sofrendo todo esse processo de alteração em suas origens, fato é que o samba-funk demonstra um movimento cultural de poder estrondoso na cultura brasileira, além de uma vitória para os favelados e um orgulho para os cariocas.
*Professor da Faculdade UNINASSAU Parnaíba, Robert Oliveira, que é Cientista Social e mestre em Antropologia,
Edição: Mário Pires Santana

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