quinta-feira, 2 de maio de 2019

Um Hitler às avessas

Por *Miguel Dias Pinheiro, advogado

Fica difícil compreender como uma sociedade evoluída como a alemã caiu na armadilha de Adolf Hitler e acabou contribuindo para o maior genocídio da história mundial, o Holocausto, que exterminou milhões de seres humanos.
O Nazismo, abreviação de Nacional Socialismo, é o nome de uma ideologia política essencialmente racista. Uma ideologia que logo se espalhou por toda a Alemanha e fincou dois marcos históricos: um genecídio e a Segunda Guerra Mundial.
Uma das maiores características do Nazismo foi a militarização do poder, assumido pela polícia da SS e pela Gestapo, uma espécie de polícia secreta. A Gestapo era, em verdade, uma polícia política que decidia as penas condenatórias que iria aplicar, sem o intermédio de um tribunal jurídico. Investigavam também possíveis afrontas ao regime por meio de agentes infiltrados em fábricas e lugares comuns e, quando queriam descobrir certas informações úteis ao nazismo ou mesmo sabiam de pessoas que eram
ideologicamente contra ele, essas pessoas eram presas, torturadas e exterminadas.
No início do regime, o povo alemão o apoiava, acreditando na ideologia pregada por Hitler – que sempre entoava um discurso de salvação nacional, de melhorias na economia, de proteção aos idosos, etc., etc. Enfim, de superioridade em tudo! A própria população por vezes contribuía ao delatar uma ou outra pessoa. Conforme os anos foram passando, principalmente no início da Segunda Guerra Mundial, o terror gerado pela SS e pela Gestapo ficou generalizado e a população percebeu o erro, que foi, evidentemente, enganada. Era tarde demais!
Por meio do regime buscava-se um nacionalismo, como prega Bolsonaro no Brasil. Aplicava-se a todos, inclusive quem não fosse alemão. Era, pois, uma xenofobia: afastar todas as pessoas, culturas, ideais e pensamentos diferentes. Pensar como Hitler pensava era tudo.
Aqui entre nós, nossa elite política agora está às voltas com a possibilidade do surgimento de “um Hitler às avessas” brasileiro, que, primeiro, militarizou o governo com figuras do Exército, de coronel a general, buscando uma suposta unidade nacional com características de nacionalismo, estimulando a xenofobia entre ministros e contra pessoas, culturas, ideais e pensamentos diferentes.
O nazismo, tanto admirado e defendido pelo atual presidente brasileiro, era considerado um regime fascista por assemelhar-se ao autoritarismo, com concentração total de poder, glorificando o líder, controlando meios de comunicação,... A Comunicação Oficial de Hitler produzia uma forma de um jornal cinematográfico, dedicando-se integralmente às ações heróicas do líder e difundindo sua ideologia. Era, enfim, a difusão generalizada do “mito”.
Recentemente, o presidente brasileiro disparou para todos os seus ministros em discurso público transmitido ao vivo pelas TVs, enfaticamente: “Eu não sou armamentista? Então, ministro meu ou é armamentista ou fica em silencio. É a regra do jogo”.
Também, recentemente, o filho do presidente da República (mandado pelo pai, claro!) disparou contra membros que controlam a Comunicação Oficial, admitindo que atua no governo e dizendo que vê “uma comunicação falha há meses” na equipe do presidente.
O Nazismo não acreditava em políticas universitárias. E o Estado Nazista era contrário à luta de classes. O atual governo brasileiro quer neutralizar de qualquer forma movimentos universitários e extinguir da agenda nacional a luta de classes por direitos e garantias constitucionais.
No Brasil de hoje, recursos públicos são suprimidos dos ensinos superiores e os alunos e professores perseguidos dentro das salas de aulas. As três universidades citadas pelo ministro da Educação de Jair Bolsonaro, Abraham Weintrab (UnB, UFF e UFBA), que serão alvo de cortes de recursos por terem permitido que ocorressem atos políticos – classificados por ele como “balbúrdia” –, aparecem no ranking do World University Rankings (CWRU) entre as mil melhores do mundo.
O nazismo era uma forma de manifestação do fascismo. Algumas das principais características da filosofia nazista desenvolvida por Hitler era o racismo, a xenofobia, o nacionalismo e o antissemitismo. O atual presidente do Brasil, mesmo desarticulado, despreparado e sem coordenação motora alguma, tenta imitar o “monstro” austríaco que assassinou no território alemão e no mundo disseminando a vingança pelo ódio, pela força e pelas armas e no mundo disseminando o são de demais!ro da Justiça aplaudiram a matança no Rio e em governando aos trancos e barrancos.
O pensamento de Bolsonaro é um só: arma, atirar, fuzilar, matar,...
Hitler buscou uma unidade nacional com características de nacionalismo, intuindo unir todos os alemães e excluir os contrários. Bolsonaro tenta criar pelas redes sociais uma sociedade homogênea e diversificada, de “nova política”, de que “quem não ficar comigo estará contra mim”. E segue empolgado, inclusive subestimando e humilhando militares dentro do governo, como são os casos de “desautorizações” em falas públicas.
Hitler tinha preconceito e ódio contra povo judeu. Até uma lei foi criada para separar os “arianos” dos outros, a chamada Lei de Nuremberg, que determinava institucionalmente uma segregação racial. Bolsonaro tem preconceito à “raça” (ele assim se expressou) petista, que prometeu – antes e depois de eleito – exterminá-la a qualquer custo.
Os nazistas diziam para a população que a democracia era “desestabilizadora”, regime vulnerável, imprestável, insustentável,... Bolsonaro disse recentemente que se não fosse o Exército o Brasil sequer tinha democracia. E que não houve ditadura militar, que os militares não mataram, defenderam-se em nome da nação.
Adolf Hitler seguia uma cartilha para convencer a massa de que a Alemanha era ameaçada por inimigos internacionais poderosos. Ele queria expandir o território e prometia que o 3º Reich (3º Império) traria de volta o passado de grande potência da Alemanha. Bolsonaro diz que o Brasil é ameaçado pelos “inimigos do povo”, os “esquerdopatas”. Tal como tentou Hitler banir os judeus, Bolsonaro disse:“Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”, referindo-se a seus adversários e opositores políticos.
Nos primeiros anos, o Nazismo não inspirou medo, mas, ao contrário, confiança. Hitler estava preocupado com o apoio popular e construiu uma ditadura baseada no consenso. O terror só se generalizou com o início da guerra, quando o regime assumiu sua face mais negra e cruel. Bolsonaro, apesar de não inspirar confiança em ninguém, nem mesmo a seus seguidores, não inspira medo. É fraco, com cara de “santo sacana”. Mas, a militarização do governo gera, no mínimo, desconfiança, preocupação e atenção. Porque na cabeça de Bolsonaro só comporta armamento, agressão, matança,... É incapaz de produzir uma frase de paz!
O nazismo nunca teria chegado tão longe sem a liderança carismática de Hitler. O que não ocorre com o nosso “raquítico” Jair Bolsonaro. O líder alemão hipnotizava multidões! Tinha um poder de convencimento inigualável! O nosso “mito” não empolga porque não sabe falar e se atrapalha até mesmo lendo um simples texto. Ao contrário de Hitler, é pouco letrado e muito frágil em conhecimentos gerais elementares. Apenas compenetra-se como líder “achado na rua”, o que faz dele um governante “às avessas”, com postura pessoal e moral de “soldado raso”, com trejeitos que faz lembrar o saudoso comediante Jerry Lewis em comédia estilo “pastelão”.
Difícil de ser igualado, Hitler encarnava o “mito” da Alemanha, com a massa o aplaudindo com emoção e devoção. Bolsonaro não encarna, mas encara um suposto “mito” somente para seus seguidores e asseclas nas redes sociais, mas de forma claudicante.
O caráter messiânico de Hitler foi bem explorado por seu ministro de Propaganda, Joseph Goebbels, que controlava os meios de comunicação alemães. Tudo girava em torno da forte personalidade do Führer (que quer dizer "condutor", "guia", "líder" ou "chefe"), reportando-se com euforia ao sanguinário Hitler.
Sem caráter messiânico, os filhos e próprio presidente do Brasil bem que tentam criar uma comunicação para exaltar a personalidade de Bolsonaro, que tem uma tremenda dificuldade de se expressar e de se comunicar, que governa aos trancos e barrancos e não consegue empolgar e convencer nem as crianças.
A propaganda do Nazismo ensinava que confinar e matar era uma medida de saneamento, como exterminar ratos e baratas. A população, então, comprou a ideia. “Movidos pelo antissemitismo” - diz Daniel Jonah Goldhagen – “os perpetradores do nazismo acreditavam que acabar com os judeus era justo, correto e necessário” (Goldhagen é um autor americano e ex-professor associado de ciência política e estudos sociais na Universidade de Harvard. Tornou-se internacionalmente conhecido como autor de dois livros polêmicos sobre o Holocausto: “Carrascos Voluntários de Hitler” e “A Moral Reckoning”).
Através do filho Carlos, o presidente Bolsonaro prometeu condicionar o “Bolsa-Família” às cirurgias de laqueadura e vasectomia para estancar a ferida econômica e ainda combater a miséria e a violência no Brasil. Chama-se a isso de “eugenia”, uma prática defendida com entusiasmo por Hitler. Na Alemanha, uma teoria que buscava produzir uma seleção genética humana. Seleção com base em características hereditárias, objetivando melhorar gerações futuras.
Aqui no Brasil, pela tese do filho nº 3, Bolsonaro quer criar uma “raça” ao modo dele. Com a “eugenia” brasileira, entende e diz o presidente que (pasmem!) “diminuiria o número de pobres” e, ainda por cima, afirma (pasmem!) “que são estes mesmos pobres a causa da violência”. Instituindo a laqueadura de pobres, implicitamente propõe também a laqueadura de uma grande maioria de negros, para o "branqueamento" da população brasileira.
Bolsonaro comunga das teses “eugenistas” defendidas entre a segunda metade do Século XIX e a primeira metade do Século XX, que defendiam um padrão genético superior para a “raça” humana. Tais teses defendiam a ideia de que o homem branco tinha o padrão da melhor saúde, da maior beleza e da maior competência civilista em comparação às demais “raças”, como a “amarela” (asiáticos), a “vermelha” (povos indígenas) e a negra (africana).
O antropólogo e médico brasileiro João Baptista de Lacerda foi um dos principais expoentes da tese do embranquecimento dos brasileiros. Após o Congresso Universal das Raças de 1911, em Londres. Através de um artigo, ele se expressou: “A população mista do Brasil deverá ter, pois, no intervalo de um século, um aspecto bem diferente do atual. As correntes de imigração européia, aumentando a cada dia mais o elemento branco desta população, acabarão, depois de certo tempo, por sufocar os elementos nos quais poderia persistir ainda alguns traços do negro.” Percebe-se nitidamente nesse trecho o teor do anseio pelo branqueamento.
Evangélico, racista como Adolf Hitler, o presidente Jair Bolsonaro é adepto da crença da “raça amaldiçoada” da descendência Cam, filho de Noé, descrita no Livro do Gênesis. O “escurecimento” da pele dos descendentes de Cam teria desembocado na raça negra.
“Eugenistas”, os Bolsonaros atribuem aos negros e pobres a culpa pelos nossos problemas sociais, como a criminalidade e a violência. Verdadeiramente, em todo o mundo cresce o número de pessoas que aderem a esses movimentos racistas com uma tendência voltada para o preconceito.
Fica a avaliação para uma reflexão. Coisa de louco!
*Fonte: Portal AZ
Edição: Mário Pires Santana

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