segunda-feira, 24 de junho de 2019

BOI DE SÃO JOÃO

Por *Diego Mendes Sousa
XIV LÍRICA 

Menininho, 

no terraço da casa dos avós 

e com três inocentes anos, 

agarrei-me, sem censura, 

ao chifre do Boi de São João. 


O irmão caçula 

chorava inconsolável

nas sombras 

do que fora meu pai 

(hoje bem sei 

que era o desespero 

por perturbável medo 

do estranho de olhar 

brilhoso e negro) 


Comemorava-se o meu aniversário 

nos idos de julho (que distante alegria) 

quando começara ali o encantamento 

e o imaginário desta incontrolável 

solidão. 


Ainda carrego nos ombros, 

silenciosamente em regresso, 

o peso de todos os bois 

que me lembro. 


*Extraído de “Velas náufragas” (Editora Penalux, 2019) de Diego Mendes Sousa. Diego é advogado, jornalista, escritor, poeta, indigenista, empresário, roteirista, dicionarista, promotor cultural, blogueiro cultural.
Fotos do Autor.
Edição: Mário Pires Santana   

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