quarta-feira, 24 de julho de 2019

Agronegócio brasileiro caminha para o suicídio em médio e longo prazos

E os ruralistas imaginavam que liberar armas serviria somente para matar seus desafetos.
POR RUI DAHER/OPINIÃO
Não são necessários mais do que cinco balas ou dedos num pandeiro, “eu sou do tempo das armas, mas ainda prefiro ouvir um verso de samba do que escutar som de tiro” (‘Nomes de Favela’, Moyséis Marques/Paulo César Pinheiro) para prever que o agronegócio brasileiro vai de encontro ao suicídio em médio e longo prazos:
1- Nada a ver comigo no momento. Depois dos inúmeros artigos que escrevi, aqui e em outras publicações, anos seguidos, sobre o uso excessivo de agrotóxicos na agricultura brasileira, viro a página. Creio a sociedade ter-se avivado e percebido o absurdo. Em resumo, a insanidade da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina, na velocidade em que concede registro para novos agrotóxicos ou renova antigos, está se tornando o tiro que sairá pela culatra do revólver venenoso;
2 - Mesmo a agricultura sendo praticada em climas tropical e subtropical, isso não se justifica. São reflexos de um capitalismo selvagem, dominador e ganancioso da parte de conglomerado de empresas, organizado para a concentração da produção e o lucro sobre bolsos dos plantadores de país que não responde soberanamente e, assim, se tornará menos competitivo em relação aos maiores produtores e exportadores mundiais; 
3 - Essa mesma submissão se repete com os interesses monopolísticos das
tradings estrangeiras que conduzem os preços das commodities;
4 - A crescente falta de apoio à agricultura diversificada e familiar oferecida por nossas condições edafoclimáticas, capazes de produzir, exportar e servir ao mercado interno mais de 70 produtos alimentares, com apoio da pesquisa, praticados a baixo custo e alta produtividade, selecionada no território nacional;
5 - A desconsideração pelo atual governo com a regionalização dos aparelhos educacionais, em todos os níveis, abandonando preciosidades das culturas locais, passando por cima de aspectos religiosos ou laicos, deixando futuras gerações sem noção da formação histórica do Brasil e da evolução de nossos pensamentos e personalidades;
6 - São pontos que os mais preparados já devem estar percebendo em artigos, ensaios, opiniões. Constatam a intrínseca involução que o Governo Twitter, aquele que vai, volta e se perde em pantomimas.
De indústria, comércio e serviços, pouco a opinar. Enquanto não houver uma política econômica voltada a emprego e renda, não haverá consumo e nem crescerão as atividades antes citadas.
Hoje em dia, a única animação no Brasil é antecipar o vazamento que virá amanhã ou a pilhéria do dia do presidente e de sua equipe.
A condução da economia precisa de planejamento e ações. Têm? O casal aí de amarelo na Avenida Paulista, as babás carregando crianças, os ogros batendo panelas, por todo o Brasil, estão achando o quê? Ou apenas defendem a escolha que esperava um mito?
E os ruralistas imaginavam que liberar armas serviria somente para matar seus desafetos, mas também ao suicídio?
Mito? Claro: a reforma da Previdência que dará um jeito em tudo.
Do general Luiz Eduardo Ramos, da Secretária de Governo da Presidência: “Sei que sou um general impetuoso e agoniado, mas assim sou e não mudarei” (Valor, 4/7).
Continência! É general, já eu sou poltrão e desagoniado. Trabalho, leio, escrevo, e ouço música. Também não mudarei. Sugiro o mesmo.
Inté!
Fonte: CartaCapital
Edição: Mário Pires Santana

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