quinta-feira, 18 de julho de 2019

Como recuperar nossa soberania na escuridão do tempo presente?

Não há como contemporizar com a série de absurdos e retrocessos diários em curso no país nos últimos anos.
POR VALDETE SOUTO SEVERO
JAIR BOLSONARO EM CERIMÔNIA DE POSSE DE NOVO PRESIDENTE DO BNDES. (EVARISTO SA/AFP)
O argumento de quem elevou Sérgio Moro à condição de super-herói do país sempre foi o combate à corrupção, uma questão moral. Poucos admitiram apoiar pautas xenofóbicas, racistas ou claramente orientadas à eliminação de pessoas que pensem diferente.
Mesmo este ano, os entrevistados nos tímidos atos em favor do atual governo repetiram o mantra: “não queremos mais corrupção, queremos um país melhor”. Com esse discurso, até mesmo as conversas travadas por Moro, tarde da noite, com Dallagnol e outros Procuradores, estão sendo perdoadas, em nome de um bem maior: colocar corruptos na cadeia. 
Não discuto o fato de que esse argumento sequer resiste à análise superficial da atuação do super-juiz, agora super-ministro. FHC não foi investigado. Aécio Neves e Temer não estão presos. Isso, por si só, deveria bastar. Não bastou. Também não foi suficiente lembrar que embarcamos no mesmo discurso seletivo e estúpido, quando elegemos Collor, o “caçador de marajás”. O governo de Collor se apropriou do dinheiro dos “cidadãos de bem” que o elegeram, mas nem isso serviu para que entendêssemos que o falso combate à corrupção é a forma mais sedutora e antiga de fazer com que assumamos escolhas imbecis. 
Na atual quadra da nossa história, o ódio cego contra o PT, minuciosamente construído nos últimos anos, através da retórica de que apenas esse partido pratica corrupção, teve o efeito de obscurecer todo o resto. A prisão de Lula foi praticamente um ato de redenção desse discurso. O candidato preferido nas intenções de voto para a eleição de 2018, foi tempestivamente segregado, impedido de dar entrevistas, de comparecer ao velório do irmão; foi escoltado para o velório do neto em que pode ficar apenas por 1h30min e retirado do páreo a tempo de evitar “o pior”: qualquer coisa para que o PT não voltasse ao governo.
Fonte: CartaCapital
Edição: Mário Pires Santana

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