sexta-feira, 5 de julho de 2019

Em parceria com o site The Intercept Brasil, Veja revela novos diálogos entre o ex-juiz e procuradores do MPF

POR ALEXANDRE PUTTI E ANA LUIZA BASILIO
FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Em parceria com o site The Intercept Brasil, a revista Veja publicou, nesta sexta-feira 5, a primeira reportagem sobre os desdobramentos das conversas vazadas da Lava Jato e traz diálogos inéditos entre o então juiz da operação, Sérgio Moro, e o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol.
Segundo a revista, a sua equipe jornalística “mergulhou” no conteúdo e analisou 649.551 mensagens e comprovou a veracidade das informações, que tornam o caso ainda mais grave. 
A revista Veja sempre apoiou Sérgio Moro, o qual ganhou diversas capas em sinal de aprovação ao trabalho do magistrado frente à Operação Lava Jato. Em editorial, postado junto com os novos vazamentos, a revista diz que “continua ao lado da operação, mas que não pode fechar os olhos para os abusos cometidos por Moro na condução dos processos”. 
O conteúdo vazado pela revista, em parceria com o site The Intercept Brasil, é grave e mostra que Moro era o condutor das denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal. Além disso, diálogos mostram que decisões foram tomadas antes mesmo de serem apresentadas, o que revela uma relação promíscua entre acusadores e o julgador. 
Ainda para a revista Veja, o conteúdo dos diálogos vazados é suficiente para a suspeição de Sérgio Moro e a anulação de todos os seus atos no processo. 
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Confira os pontos revelados pela revista Veja: 
Em 2016, Dallagnol diz para Moro que a denúncia de Lula seria protocolada em breve. O ex-juiz responde com um emoticon 
de felicidade, ao lado da frase: “um bom dia afinal”. 
Moro alertou Dallagnol sobre falta de informação em uma das denúncias. O juiz estava ajudando os procuradores a fortalecer a peça de acusação. Atitude ilegal perante à Constituição.
Dallagnol sai exultante de um encontro com o ministro Edson Fachin e comenta com os colegas de MPF: “Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”.
Moro cobra manifestação do MPF sobre pedido de revogação de prisão e Dallagnol envia para o magistrado outras decisões para Moro justificar suas prisões. Uma clara relação de cumplicidade entre MPF e o juiz.
Em diálogo com Dallagnol, Moro se mostra contrário à delação de Eduardo Cunha. Um juiz não pode opinar em negociações com delatores, função exclusiva do Ministério Público.
A pedido de Moro, delegada da Polícia Federal esconde prova encontrada em busca e apreensão na casa de um dos executivos da Andrade Gutierrez. Um juiz não pode pedir pressa ou guardar algo que foi apreendido pela polícia.
Moro cobra Dallagnol posição do MPF sobre pedido de habeas corpus impretado pela Odebrecht. O procurador avisa o juiz que precisa de mais um dia para escrever e envia para Moro a versão ainda não finalizada para o juiz ir escrevendo sua decisão. Uma atitude ilegal, que fere a lei.
Moro pede para que procuradores do MPF esperem até novembro de 2015 para apresentarem uma denúncia contra José Carlos Bumlai, amigo de Lula. Moro aceitou a denúncia no dia seguinte à apresentação, o que mostra que a decisão já tinha sido tomada antes mesmo de ser apresentada. Uma atitude que fere a imparcialidade de um juiz.
Moro sugeriu ao MPF as datas da operação que prendeu o professor Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear. O diálogo mostra que Moro era o chefe do MPF e decidia as movimentações da acusação. Algo extremamente grave para um juiz.
Moro comenta com Dalla­gnol que havia sido procurado pelo apresentador Fausto Silva. Segundo o juiz, o apresentador o cumprimentou pelo trabalho na Lava Jato, mas deu um conselho: “Ele disse que vcs nas entrevistas ou nas coletivas precisam usar uma linguagem mais simples. Para todo mundo entender. Para o povão. O apresentador confirmou o conteúdo das conversas.
Fonte: CartaCapital
Edição: Mário Pires Santana

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