segunda-feira, 1 de julho de 2019

EMBRIAGADA... EU QUERO DESABAFAR!. É AMANHÃ DIA 12 NO TEATRO SARAIVA ÀS 20 HORAS

Texto inspirado na obra de Clarice Lispector (A Hora da Estrela, Laços de Família e A Paixão Segundo G.H) e nas Canções de Núbia Lafayette.
Por *Wellington Rodrigues

Texto, direção, concepção cênica, figurino, adereços, maquiagem, iluminação, sonoplastia e produção executiva: Wellington Rodrigues.
Execução de Iluminação: Wladimir Cavalcante
Execução de Sonoplastia: Roni Cavalcante.
Realização: Cia. Teatral Moreira Campos.
Contatos da companhia: 85 996591591(tim) 
O Espetáculo
O espetáculo Embriagada... Eu quero desabafar! é um texto inspirado na obra de Clarice Lispector (Laços de Família, A Hora da Estrela, A Paixão Segundo G. H.) e nas canções da grande compositora e interprete da música brasileira, Núbia Lafayette. A peça relata a vida cômica e trágica de Dolores, uma mulher Nordestina, feia, datilógrafa, funcionária pública, semi-analfabeta, casada há dez anos com um marido machista e ausente. Embriagada e em meios a devaneios, diante da situação em que se encontra - a beira de um ataque de nervos - ela resolve desabafar tudo aquilo que a sufocava, que estava preso na garganta. De forma sutil, cômica e quase trágica, Dolores conta suas angústias,
decepções, sonhos, traições e sua “anti-vida” com seu marido “Amado”.
Trata-se de um texto simples e poético onde o teor da trama situa-se numa confluência de paradigmas que entretece e destece, pondo o espectador numa espécie de tensão ilusória facilitada pela personagem Dolores em situações da vida diária, mas num intenso lirismo. As cenas nos colocam diante de um realismo-naturalismo e de um romantismo-simbolismo significante, uma vez que, encontram-se veios recessivos que criam um entrelaçamento entre realidade e a “realidade adivinhada”, produzindo uma poética que lhe é própria. 
Indicações a prêmios/Festivais/Apresentações
● PRÊMIO BALAIO 2009 - CEARÁ: SEIS INDICAÇÕES - MELHOR PRODUÇÃO, MELHOR ATOR, MELHOR DIRETOR, MELHOR TEXTO, MELHOR CONCEPÇÃO CÊNICA, MELHOR SONOPLASTIA.
● FITBAHIA 2012: PRÊMIOS - MELHOR ESPETÁCULO JÚRI POPULAR (2 LUGAR), MELHOR ESPETÁCULO JÚRI OFICIAL (2 LUGAR), INDICAÇÃO AO PRÊMIO DESTAQUE FITBAHIA 2012 - POR MELHOR ATUAÇÃO, DIREÇÃO E CONCEPÇÃO CÊNICA. 
● ESPETÁCULO CONVIDADO PARA O VI FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO OOPS!... GOIÂNIA (JULHO DE 2012)
● APRESENTAÇÕES EM TERESINA, RIO DE JANEIRO, SÃO LUIS, LAURO DE FREITAS/SALVADOR, GOIÂNIA – CURTAS TEMPORADAS (2012 e 2013), MACAPÁ.
● APRESENTAÇÃO NA V GUERRILHA DE TEATRO – CRATO (2013)
● APRESENTAÇÕES NAS SEGUINTES CIDADES DO ESTADO DO CEARÁ: FORTALEZA, GUARAMIRANGA (MAIO/JUNHO/JULHO DE 2009), GUARACIABA DO NORTE, CRATO, JUAZEIRO DO NORTE, SOBRAL (3 TEMPORADAS), IGUATU, ACOPIARA, CRATEÚS (2009 e 2014).
A Montagem
Penetrar no universo clariceano e no universo feminino em si não é uma tarefa fácil. Fazer uma personagem feminina, ser sutil, sentir-se mulher, casada, solitária, angustiada, repleta de conflitos, sonhos fracassados, sendo homem, também não é uma coisa que se faz da noite para o dia. Mas esse foi um desafio a percorrer. As
palavras poéticas de Clarice Lispector e as canções inesquecíveis de Núbia Lafayette, conduziram-me ao sublime da construção de um texto que pudesse ajustar num só conceito de poesia essas duas mulheres que mexeram com o mundo de muitas outras mulheres através de suas palavras ditas e/ou não ditas, apenas, sentidas. 
O fato é, que, Demonstrar frustrações, desejos e vontades...embriagar-se nas dores de Dolores... mulher... mãe... sem fazer clichês, dentro de uma poética onde a palavra é um forte, a submissão é um forte, o sentimento é um forte, o monólogo interior é um forte, a presença da ausência é um forte, a vida a um (dois) é um forte, foi o que tornou esse espetáculo uma grande experiência minha quanto ator e quanto pesquisador do enigmático mundo literário. 
O texto situa-se numa confluência de paradigmas que entretece e destece, pondo o espectador numa espécie de tensão ilusória facilitada pela personagem Dolores em situações da vida diária, mas num intenso lirismo. As cenas nos colocam diante de um realismo-naturalismo e de um romantismo-simbolismo significante, uma vez que, encontram-se veios recessivos que criam um entrelaçamento entre realidade e a “realidade adivinhada”, produzindo uma poética que lhe é própria. 
Coisas simples da vida como o achar de um velho vestido cor de vinho, um litro de vinho do porto na adega, a solidão e o vazio que habita o interior e o exterior de Dolores conduz o espectador e a personagem Dolores a uma verdadeira catarse das mulheres criadas por Clarice Lispector e do ser humano em real. 
A construção do texto partiu da seguinte curiosidade: como seria a vida da personagem Macabéia (Hora da Estrela) se ela tivesse casada com o grande amor da sua vida – Olímpico? 
Durante o processo de construção textual outras personagens femininas do mundo Clariceano habitou a vida da personagem Dolores. Além de Macabéia, somaram-se a Dolores a personagens do romance A Paixão Segundo G. H. e Laços de Família. 
Para completar a criação da personagem Dolores e dos momentos de angústia e solidão vivida pela mesma, as canções interpretadas por Núbia Lafayette tornaram-se elementos de extrema importância no corpo do texto e na atuação do ator. Músicas como Hino ao Amor, Lama, Concerto para um verão, Devolvi, Casa e Comida, Fracasso, Mata-me Depressa preencheram de lirismo o texto, acena e a vida da personagem Dolores e dos espectadores que se deleitam com as ações da cena e da voz da cantora Núbia Lafayette. 
Desafios foram lançados. Desafios múltiplos: uma produção sem dinheiro, estréia fora da capital cearense (estreamos em Guaramiranga – maio de 2009), monólogo, reassumindo um grupo que estava desativado há três anos e outros desafios. 
Era preciso coragem. Como num ritual dionisíaco, Dolores, embriaga-se. Palavras repletas de sentimentos ecoam pelos quatro cantos do palco, como a forte batida de um coração alado. Eu quero desabafar...! 
Clarice Lispector 
Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik, pequena cidade da Ucrânia, e chegou ao Brasil aos dois meses de idade, naturalizando-se brasileira posteriormente. Criou-se em Maceió e Recife, transferindo-se aos doze anos para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito. Trabalhou como Jornalista e destacou-se na carreira literária. Viveu muitos anos no exterior, em função do casamento com um diplomata brasileiro. Teve dois filhos e faleceu em dezembro de 1977, no Rio de Janeiro.
Núbia Lafayette 
Uma das maiores intérpretes e compositoras da música brasileira. Dentre suas canções mais conhecidas, destacam-se os seguintes títulos: Lama, Fracasso, Aliança com filete de prata, Casa e comida, Devolvi, Hino ao amor, Mata-me depressa e Amargura. Núbia Lafayette participou recentemente do Programa “Rei Majestade”, exibido pelo SBT, e logo depois, em 2007, veio a falecer, deixando-nos sua eterna poesia. 
A Cia. Teatral Moreira Campos 
A Cia. Teatral Moreira Campos foi fundada no ano de 1998, por alunos do Curso de Letras e do Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceará, tendo como principal objeto de pesquisa obras da literatura brasileira e universal. 
Ao longo de vinte e um anos, vários atores e diretores da classe artística de Fortaleza passaram pelo grupo. A companhia participou de festivais locais, regionais e nacionais de teatro, sendo indicada a prêmios. Montou três esquetes e oito espetáculos: A Morte e a Alta Costura (1998-2001), Odisséia I (1999), Odisséia II (2000), Relembranças (2001), Agosto (2001-2002), Os Sertões (2002-2004), A Casa (2004-2005), Embriagada...eu quero desabafar (2009-2018), Velha Moça (2017-2018), O Pranto de Maria Cachaça (EM CONSTRUÇÃO). 
O nome do grupo é uma homenagem a um dos maiores contistas da literatura cearense, Moreira Campos, nascido na cidade de Senador Pompeu, em janeiro de 1914. Foi professor da Universidade Federal do Ceará, membro da Academia Cearense de Letras e integrante do grupo literário Clã. É autor, dentre outras obras, do livro de contos Dizem que os cães vêem coisas. Moreira Campos faleceu em Fortaleza, em maio de 1994. 
O Ator 
Wellington Rodrigues é formado em Letras, Especialista em Cultura Clássica, Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Ceará e Doutor em literatura dramática pela UFC. Também é formado pelo Curso de Arte Dramática da UFC. Ator, diretor, dramaturgo. Foi Professor do Curso de Teatro da Universidade Regional do Cariri – URCA – Ceará (2013-2015). Foi Professor Substituto do Curso de Teatro da Universidade Regional do Cariri (2013-2015), Professor Substituto de Artes e Literatura no Instituto Federal do Ceará (2015-2017). Fundador da Cia. Teatral Moreira Campos. Ao longo de vinte anos no teatro como ator e produtor, fez 20 espetáculos. Foi indicado pelo Prêmio Balaio do Ceará nas seguintes categorias: Melhor Produção, Ator Revelação e Ator Coadjuvante. Participou como ator convidado de espetáculos montados pela Companhia Palmas Produções Artísticas, pelo Grupo Palcos Produções Artísticas e pelo grupo Bilu Bila de Teatro. Em dezembro de 2015 e janeiro de 2016, foi convidado pelo grupo de brincantes de teatro da cidade do Porto a participar do espetáculo “Auto do Boi”. Este trabalho foi apresentado na cidade do Porto, Coimbra, Lisboa, Aveiro (Portugal); Vigo, Santiago de Compostela e Madrid (Espanha). 
Fonte: WhatsApp dO Amigo, Joaquim Saraiva
Edição: Mário Pires Santana

2 comentários:

  1. Com essa excelente chamada pelo blog do Mario Pures, espero que mais interessados tenham acesso à cultura teatral e sintam pertencentes ao que se passa no TrstrT Saraiva.

    ResponderExcluir
  2. Desculpem, blog do Mario Pires.
    ..... Teatro Saraiva.

    ResponderExcluir

Os comentários são de responsabilidade de seus autores, e não refletem, de maneira nenhuma, a opinião do redator deste portal.