terça-feira, 27 de agosto de 2019

Preservação acima de tudo, mãe-terra acima de todos

POR FRANKLIN FÉLIX - Com colaboração de Tabata Tesser
Estamos vivendo diante de um holocausto amazônico, fruto de uma política bolsonarista de ecocídio ao nosso meio ambiente
Queimadas em matas e florestas como forma de ampliar áreas para pasto ou agricultura. Desmatamento com o corte ilegal de árvores para comercialização de madeira. Esgotamento do solo, diminuição e extinção de espécies animais, provocados pela caça predatória e destruição de ecossistemas.
Falta de água para o consumo humano, causado pelo uso irracional, contaminação e poluição dos recursos hídricos. Aquecimento global, causado pela grande quantidade de emissão de gases do efeito estufa e a diminuição da camada de ozônio.
Poluição do ar, rios, lagos, mares, oceanos, solo, provocada, em sua maioria, por contaminação com agrotóxicos.
Tudo isso nós já sabíamos e estamos cansados/as de tanto falar, mas precisou fazer-se noite – em pleno dia – em São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo, o que foi importante (e não estamos afirmando que foi bom) para chamar a atenção do restante do Brasil e do mundo para os horrores que vêm acontecendo na região amazônica.
Nos últimos meses estamos vivendo diante de um holocausto amazônico, fruto de uma política bolsonarista de ecocídio ao nosso meio ambiente. A ação
criminosa na Floresta Amazônica é a execração e entrega da nossa mãe-terra como moeda de troca, cumprindo um ciclo de destruição da biodiversidade e de agressão à soberania nacional. Estamos perante um progresso ao avesso. A nossa mãe-terra está queimando há semanas e não é devido às causas naturais. Este colapso ambiental está de acordo com o agronegócio brasileiro que segue destruindo as vidas dos camponeses, dos trabalhadores sem terras, dos indígenas e dos povos originários.
O agro não é pop, o agro é money. Como disse Papa Francisco, a “destruição da Amazônia sofre com a mentalidade cega e destruidora que favorece o lucro.”
Muito antes dessa devastação ambiental ocorrer, em um ato de profecia, em que encaramos profecia como o ato de compreender a realidade e tomar atitudes pensando o futuro, a Igreja Católica lançou o Sínodo da Amazônia. É neste documento oficial da igreja que existe a oportunidade histórica de diferenciar-se claramente das novas potências colonizadoras escutando os povos amazônicos para exercer com transparência seu papel profético. É também um documento que foge de qualquer neutralidade. Defender a mãe-terra é fazer uma escolha política. Não se pode ser neutro frente a uma devastação ambiental desastrosa. Ou se escolhe o lado dos poderosos do agronegócio, do governo e dos latifundiários ou o lado das florestas e do povo amazônico.
Engana-se quem pensa que o/a brasileiro/a pouco se importa com esse tipo de informação. A maioria tem o desejo de estar cada vez mais perto da natureza e sabe que também é sua própria responsabilidade cuidar do verde.
Uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2018 com maiores de 16 anos, diferentes classes sociais e com representatividade nacional, demonstrou que o desmatamento e a poluição das águas continuam a ser vistos como as principais ameaças ao meio ambiente, com 27% e 26% de menções, respectivamente.
A caça e a pesca ilegais, juntamente com as mudanças climáticas, ocupam o terceiro lugar na preocupação dos entrevistados (16%). Obras de infraestrutura, como hidrelétricas, rodovias e portos, tiveram 15% de menções no ranking de maiores ameaças à natureza.
É portanto, tarefa cristã lutar pelo impedimento e avanço do ecocídio e pensar uma nova ecologia do bem-viver. Da perspectiva religiosa e cristã, é preciso encarar a Amazônia como fonte de vida que está sob ameaça.
Jesus oferece uma vida em abundância (cf. Jo 10, 10), uma vida repleta de Deus, uma vida salvífica (zōē), que começa na criação e se manifesta já no mais elementar da vida (bios).
Ecocídio é um dos piores pecados da humanidade.
Por Mariana. Por Brumadinho. Pela nossa Amazônia!
#ActForTheAmazonia
Fonte: CartaCapital
Edição: Mário Pires Santana


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