quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Gilmar escolhe dia decisivo para visitar Bolsonaro

"Vamos confiar que Gilmar, de fato, reviu posição e quer ver esse país e o Judiciário passados a limpo. Vamos acreditar que Gilmar Mendes errou de data para a sua agenda, mas não vai nos decepcionar", avalia a jornalista Denise Assis, sobre o encontro entre o ministro do STF Gilmar Mendes com Jair Bolsonaro.
Bolsonaro exonera ex-mulher de Gilmar Mendes do conselho da Itaipu.
Por Denise Assis, (Foto) para o Jornalistas pela Democracia
Que diabos teriam movido o ministro do Supremo Tribunal Federal a fazer uma visita de cortesia a Bolsonaro, na véspera de um julgamento decisivo para a suprema Corte e para o país?
Vamos lembrar que nos seus últimos pronunciamentos públicos, Gilmar colocou o dedo na ferida. Falou do papel absolutamente parcial do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, denunciou o “lavajatismo” da mídia e o seu desempenho fomentador do “ódio” e da divisão do país, principalmente no período áureo da tal malfadada operação Lava-Jato. Não se furtou a tecer críticas ao presidente e a seu governo, com seu autoritarismo e o espaço que dá ao principado de seus filhos, possibilitando pitacos perigosos para o ambiente político.
Levando em conta as suas última atitudes, convém supor que o ministro - que amanhã terá de se pronunciar sobre o destino de um ex-presidente da República
-, tenha ido tentar conter eventuais pronunciamentos destrambelhados de Jair, dando corda a algum movimento como o que já foi sugerido, hoje, por aquele senhor tresloucado que não mora no Brasil. O guru dos EUA (a matriz) segue manipulando os cordões das suas marionetes, dos seus teleguiados. Hoje o teórico tropical da ultradireita pregou a volta do AI-5, numa atitude irresponsável e perigosa. 
A data, escolhida para a sua “visita de cortesia”, porém, que me desculpe o ministro, foi infeliz. Amanhã, (força de expressão, porque esse julgamento vai ser longo), findo o julgamento da suprema Corte, Gilmar pode ser acusado de ter ido combinar algo que pudesse ter influído em seu voto. 
Volto a dizer: a julgar por suas últimas atitudes, convém apostar que Gilmar está certo de que o papel da Vaza-Jato foi fundamental para clarear a sua convicção de que errou ao não tentar conter o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, de que se deixou levar pelo clima e as informações da mídia comprometida com a queda do governo petista. Pelo até aqui exposto, o seu voto é pela manutenção do respeito à Constituição.
Vamos confiar que Gilmar, de fato, reviu posição e quer ver esse país e o Judiciário passados a limpo. Vamos acreditar que Gilmar Mendes errou de data para a sua agenda, mas não vai nos decepcionar.
*Jornalista há quatro décadas, passou pelos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora-pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" e "Imaculada", membro do Jornalistas pela Democracia.
Fonte: Brsil 247
Edição: Mário Pires Santana

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários são de responsabilidade de seus autores, e não refletem, de maneira nenhuma, a opinião do redator deste portal.