segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O colecionador de documentos

Mas o que foi que mais pegou, inclusive como indicação de Ayrton, no variado acervo compartilhado?
POR *FONSECA NETO
                 Dr. Luiz Ayrton Júnior/Foto: Youtube
O médico Luiz Ayrton dos Santos Júnior é um conhecido homem de ação em nosso meio. Lidera uma experiência enredada de beleza no cuidado à saúde da mulher, a Fundação Maria Carvalho Santos, em particular na abordagem atinente a problemas de câncer de mama.
Soma ao êxito dessa iniciativa ampla e socialmente reconhecida, há vários anos, seu engajamento no acontecer de várias manifestações relacionadas à cultura artística, ao desenvolvimento científico e a praticamente tudo que diga respeito a coisas que engrandecem sua terra, divulguem seus saberes e tornem radiante a face do Piauí. Entranhado na referida Fundação, idealizou e estabeleceu uma espécie de Confraria, chamada de Mandu Ladino, lugar de bons debates, de saraus livrescos, de gente a quem o pensar faz bem. 
Pois agora esse homem múltiplo vem a público apresentar um valioso acervo de documentos que reportam um quase-sem número de informações relevantes para a pesquisa sobre a vida social de Teresina e do Piauí. Documentos-fontes que vem adquirindo e organizando a partir de variada procedência, inclusive a disponibilidade crescente, deles, no mercado aquecido de “antiguidades” na Internet.
Ele demonstra interesse por tudo que entende seja aproveitável para as elaborações no campo historiográfico e labores de conhecimento afins, tal a Geografia, assim também a Arqueologia etc.
Semana que passou ele realizou algo que queria ter já feito há algum tempo: inaugurar uma mostra de algumas preciosidades de suas coleções. O fez, deponha-se, num evento muito prestigiado, nos amplos salões da loja de carros BMW, s. à avenida João XXX. Para lá acorreram, e ainda acorrem, especialistas e especializandos do campo historiográfico, agitadores literários, autoridades da esfera pública, aliás, muita gente da Academia Piauiense de Letras, de Ciências, de Medicina, do IHGP. Um grupo entusiasmado de graduandos de História da Ufpi de tudo também participam.
Mas o que foi que mais pegou, inclusive como indicação de Ayrton, no variado acervo compartilhado? Um repertório cartográfico muito precioso sobre o Piauí, e Teresina, não necessariamente inédito, mas, no mínimo, até agora, desconhecido de público mais amplo. E bastante peças fotográficas, livros raros, com edições princeps, manuscritos oficiais e privados. Mais.
A cartografia de Teresina, na sua terceira década, revela a cidade se esgueirando para ocupar as lacunas do plano-xadrez idealizado e desenhado pelos implantadores da Novacap do Piauí, em 1850-52. A cidade e a geografia de suas funcionalidades, ordenada em quarteirões para a residência de seu povo, e seus apetrechos; generosos largos para o povo significar e celebrar os ritos da vida pública; os arredores.
Entre os diversos registros fotográficos, um flagra da cidade mesopotâmica original e central feito a partir de avião, revelando-a conforme era pelos anos de 1940: uma certa planura com muita arborização nos quintais. Aliás, era o tempo de avião pousando na lâmina de água do Parnaíba, os hidroaviões, e já também chegados os de terra. Teresina antes de ter edifícios com mais de dois pisos. Fotografias-flagrantes de ruas da cidade nortista de Parnaíba; de Igrejas; muitas de pessoas; idem, escolas... Registros das grandes pontes de Teresina à época de suas construções. Numa, também aérea, está a vista da futura avenida João XXX ainda uma estradinha de chão que leva aos Altos de João de Paiva.
Iniciativas desse tipo, ao demonstrarem a seriedade dos seus agentes, é comum que gozem da confiança de muitos que por isso lhes passam acervos particulares, motivo porque acreditamos tenha obtido o colecionador muita preciosidade registral de famílias, também porque aumenta o número de pessoas em Teresina mudando-se para apartamentos e deixando para trás coisas de seus apegos de ontem. Infelizmente, o que se escolhe para deixar, por primeiro, são livros e objetos afins. Eis um acólito para disso cuidar.
Fato é que Teresina e o Piauí ganham mais lugares de cuidado e estudo de sua realidade, universidades pesquisam mais e todos crescem. Ganho mais expressivo são os sinais de superação da subjetividade viralatista, no Piauí, em dobro. Palmas para o poeta Luiz Ayrton Júnior. Visitem.
*FONSECA NETO (Foto), professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.
*Coluna Proa & Prosa
Fonte: Piauí Hoje
Edição: Mário Pires Santana

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