quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Algo está fedendo no condomínio do Bolsonaro

Por Leandro Demori - Da newsletter do The Intercept Brasil
Créditos da foto: (Reprodução)
Derrubamos a procuradora e agora?

Existe algo muito esquisito no entorno do condomínio de Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro. O porteiro disse que foi "seu Jair" que autorizou o acesso ao condomínio de um dos suspeitos de assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes no dia do crime. Bolsonaro nega estar no Rio no dia (mas não fala se recebeu ligações da portaria diretamente no seu celular). Seu filho Carlos divulgou um áudio que mostra que foi o suspeito do crime, Ronnie Lessa, que atendeu o telefone.
"Nada ficou sem se fazer diligência. Tudo foi esclarecido. E graças as todas as diligências possíveis que foram realizadas nós chegamos a conclusão técnica que aquela voz que autorizou a entrada de um dos corréus na ação penal é a voz do outro réu da ação penal", disse a promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho.
Depois da entrevista da promotora descobrimos que a perícia só foi realizada após a reportagem que revelou o possível envolvimento de Bolsonaro. Descobrimos também que ela foi incompleta e não avaliou o sistema, nem se a data e o horário foram manipulados. Ontem ficamos sabendo que o porteiro que prestou o depoimento não é o mesmo que fala com Lessa. Logo depois da entrevista das promotoras do caso fui o primeiro a reportar que Carmen Eliza é uma apoiadora feroz do Bolsonaro, fez campanha para ele nas redes sociais, usou camiseta do então candidato, celebrou sua vitória, chamou Brasil de um "cativeiro esquerdopata", tirou foto sorrindo ao lado do deputado que quebrou a placa com nome de Marielle Franco em um gesto sociopata.
Imediatamente escrevi aos nossos leitores e pedi que ligassem para a Corregedoria-Geral do MP para exigir a demissão da promotora. Muitos de vocês fizeram exatamente isso. Dois dias depois, a promotora "pediu" para ser removida do caso. Vitória!
Mas não podemos parar. Ainda existe muito para ser esclarecido no caso. No Intercept, abraçamos um lema: todos os governos mentem. Não acreditamos nas afirmações de autoridades sem provas e continuaremos desconfiando deles e cobrando a verdade neste caso e em todos os outros que cobrimos.
Bolsonaro parece ter medo desse caso e está tentando abafá-lo. Até chorou na sua live depois que a primeira reportagem saiu. Ameaçou os veículos de imprensa que investigaram o caso e exigiu que anunciantes deixassem esses veículos. O que ele pretende esconder?
Fonte: Carta Maior
Edição: Mário Pires Santana

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