quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Cárie: uma doença que pode ser evitada com higiene bucal

Por *Elanno Padua Albuquerque do Nascimento
Apesar do acesso aos serviços de saúde ter melhorado para a maioria da população brasileira, a cárie ainda continua sendo o problema bucal que mais afeta os brasileiros. Dados de pesquisas demonstram que a saúde bucal do brasileiro no que se refere a doença também melhorou; contudo, ocorrendo de forma desigual entre as diversas regiões do país.
A última avaliação nacional de saúde bucal em nosso país, SB Brasil, realizado em 2010 revela que o índice CPO-D, que avalia a quantidade de dentes cariados, perdidos e obturados, teve uma média de 2,07 dentes para indivíduos com idade de 12 anos, dados melhores que os obtidos na década de 80, em que este era em torno de 7,6; em 1993 que era de 4,8 e 2003 que era 2,8.
A cárie é uma doença infecciosa causada, entre outras, por bactérias bucais chamadas Streptococcus mutans. Tais bactérias são adquiridas ainda na infância, num período chamado de janela de infectividade, principalmente transmitidas da mãe para filho, ao assoprar refeições e esfriá-las, por exemplo. Tal período compreende entre as idades de 18 a 31 meses de idade da criança e coincide com o aparecimento dos primeiros dentes decíduos (de leite) na boca,
que geralmente inicia-se por volta dos 6 meses de vida. 
O surgimento da doença depende, além da presença das bactérias, de outros fatores como uma dieta rica em açúcares e a ausência de uma higienização bucal adequada. Assim, tendo um ambiente favorável para seu desenvolvimento a cárie inicia-se pela produção de ácidos pelas bactérias que levam a desmineralização do dente.
Os sinais iniciais são manchas brancas que evoluem e podem gerar cavitações nos dentes; neste momento se não tratada através da remoção da cárie pelo cirurgião-dentista e confecção de uma restauração, pode evoluir e cavitar profundamente causando dor; progredindo ainda mais, pode chegar até a polpa do dente levando a um tratamento de canal, por exemplo; em última instância leva à necessidade de extração do dente. Nesse contexto, a perda dentária contínua ao longo tempo levou a mais da metade da população idosa brasileira tornar-se desdentada segundo dados do SB Brasil 2010.
Dessa maneira, a forma eficiente de redução desse problema mundial dá-se de forma simples e barata: uma higienização bucal satisfatória através da escovação dentária e uso do fio dental. Incrivelmente o ser humano possui um profissional especialista que trata dos dentes, o cirurgião-dentista, mas que ainda acaba terminando a vida sem dentes.
*Professor do Curso de Odontologia da Faculdade UNINASSAU Parnaíba-PI. Graduado em Odontologia pela Universidade Estadual do Piauí. Mestre em Ciências Biomédicas pela Universidade Federal do Piauí - UFPI.
Edição: Mário Pires Santana

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