domingo, 12 de janeiro de 2020

Caricatura: Um olhar singular

Há quem prefira uma caricatura a um retrato comum, por se identificar mais com a primeira que, para muitos, mergulha também na personalidade do focalizado.
Por Marco Antônio Vilarinho
Jota A é um dos cartunistas mais premiados do Brasil. Foto/Jailson Soares
Há quem diga que a caricatura serviu de inspi­ração para a arte expressionista. Se é verdade ou não, o certo é que essa modalidade de de­senho destaca traços característicos de uma personalidade ou de uma situação, resultando em trabalho primoroso e admirado no mundo inteiro. 
Há quem prefira uma caricatura a um retrato comum, por se identificar mais com a primeira que, para muitos, mergulha também na personalidade do focalizado.
Para o cartunista Dino Alves, “a caricatura e o desenho em geral foi o meu passaporte para a cidadania. É através do desenho que me co­necto com outros mundos. Faço isso porque o desenho é mais forte que eu.” O artista diz ainda que toda pessoa é caricaturável, mas confessa que algumas “já são uma carica­tura viva”. 
Ele destaca ainda que para ser um caricaturista, além do dom, é preciso saber vislumbrar o modelo utilizando psicologia e anatomia: “Muitas pessoas escondem o seu momento de caricatura... mas deixa escapar em um olhar ou em um momento de "garga­lhada fatal".”
“Estudar o modelo a ser caricaturado e fundamental. Saber fazer a leitura corporal é necessário para a verdadeiro personalida­de se mostrar diante dos olhos do artista e finalmente ser visível ao olhar do observador, o público é parte do produto final”, observa o artista que tem largo trabalho desenvolvido em anos de carreira.
Outro cartunista de sucesso é Jota A, que soma mais de 100 premiações mundo afora: “A caricatura surgiu quando surgiu minha paixão pelo cartum. Ela veio junto. No colégio fazia a caricatura dos professores. Alguns gostavam, outros nem tanto. Depois passei a fazer de amigos e saí no mundo desenhando todo mundo”, argumenta. Perguntado sobre pontos importantes para esse trabalho, o ar­tista acentua: “O caricaturista precisa identifi­car no caricaturado algum detalhe fisionômico que possa ampliar exageradamente. A melhor caricatura é aquela em que o artista faz uma deformação total do rosto e, mesmo assim, o desenho fica parecido com a pessoa caricatu­rada”, frisa.
Jota A faz questão de ressalta o surgimento de novos talentos na difícil arte de caricatu­rar alguém: “Como jurado de concursos do tema em questão tenho visto jovens bem talentosos. O 11 salão Medplan de Humor, por exemplo, mostrou vários bons caricatu­ristas. 
Cito dois teresinenses: o Elias Gabriel Oliveira e o João Vitor Rocha. Não conhe­ço nenhum dos dois, mas são excelentes artistas da caricatura”, diz, acrescentando que para ser um bom caricaturista é preci­so paciência para treinar diariamente, boas referências artísticas e fazer experimentos artísticos na criação dos desenhos, além de procurar trabalhar com os vários materiais disponíveis, desde o lápis até os programas de computador”, conclui.
Como surgiu
O primeiro artista a usar a caricatura como forma de arte foi o italiano An­nibale Carracci, no fim do século XVI. Oriundo de uma família de artistas e co-fundador da Escola de Bologna, ele fazia a sua arte em contraste às pinturas idealizadas, em voga na época. Os desenhos foram tão inovadores que o termo “caricatura” foi criado, justamente, para denomi­ná-los.
Aqui no Brasil a caricatura chegou no ano de 1822. Trata-se de uma pu­blicação em uma gazeta de Pernam­buco chamada “O Maribondo”, na qual um homem corcunda é atacado por vários marimbondos. O desenho refletia o atrito que acontecia na época entre brasileiros (os insetos) e portugueses (o homem).
Primeira cartunista, filha de Antônio Luís von Hoonholtz, o Barão de Teffé, e Maria Luísa Dodsworth, Nair de Teffé, que viria a se casar com o presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, com apenas 19 anos, incentivada pelo pai, depois de uma temporada na Europa, cheia de ideias na cabeça e inspirada nos cartunistas lá dazooropa, ela começa a desenhar caricaturas para várias revistas como a O Malho e a Fon-Fon (a-do-re-i esses nomes, só um aden­do mesmo, já retomo). And os pe­riódicos O Binóculo e A Careta, entre outros. Com um traço ágil, dizem que a moça tinha o dom de traduzir bem o caráter das pessoas.
Fugindo aos modismos da época, Nair adorava bares e fazia esboços por onde andava. No começo ela assinava como Rian (seu nome ao contrário e sonoramente parecido com rien, que em francês significa “nada”). É considerada a primeira mulher cartunista do Brasil e do mundo.
Fonte: portalodia.com
Grifos do Editor
Edição: Mário Pires Santana

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