quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Discurso no Plenário da Câmara Federal pelo deputado Paes Landim

O SR. PRESIDENTE (Assis Carvalho. PT - PI) - Concedo a palavra ao Deputado Paes Landim.
 
Foto/Reprodução/web
O SR. PAES LANDIM (Bloco/PTB - PI. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente desta sessão, colega Assis Carvalho; autor desta bela inciativa de homenagear o “Dia do Piauí”, Sr. Governador do Estado, Dr. Wellington Dias; Sra. Deputada Rejane Dias, Sr. Firmino Filho, Prefeito de Teresina; Deputado Estadual Henrique Pires, Senhor Secretário de Saúde do Piauí, Dr. Florentino Veras, Magnifico Reitor da Universidade Federal do Piauí, Professor Arimateia Dantas, colegas parlamentares aqui presentes, minhas senhoras e meus senhores, estamos hoje comemorando uma data histórica, o 19 de outubro, quando o Piauí declarou sua adesão à independência do País. 
Sr. Governador, parabenizo, inicialmente a iniciativa do Deputado Assis Carvalho, com o apoio do seu Governo, pela festa de ontem à noite no Feitiço Mineiro, em que o trio com as presenças de João Cláudio Moreno, e de Soraya Castello Branco encantou a todos que estavam ali presentes. E eu dizia, Sr. Governador, e concordou comigo essa grande figura pública do País que honrou esta Casa e o Governo brasileiro, o ex-Ministro Aldo Rebelo que realmente o trio que nos encantou deveria ser embaixador do Piauí, em São Paulo, no Rio, nos grandes centros do país, porque realmente impressiona. Não tenho a menor dúvida de que João Cláudio Moreno é o grande intérprete de Luiz Gonzaga. Foi uma bela iniciativa no contexto das homenagens ao Dia do Piauí. 
Mas eu diria que o 19 de outubro é uma data histórica, é a declaração de apoio do Piauí a Proclamação da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822. As comunicações eram difíceis. Os acontecimentos chegaram lá pelas embarcações fluviais e marítimas, daí a razão do apoio dos bravos líderes de Parnaíba ter sido dado em outubro. 
Parnaíba tinha a sua navegação marítima. Pois bem, por que esta importância do Piauí? Porque os portugueses já sabiam de antemão que era irreversível a independência do Brasil, mas queriam permanecer no Norte do País. Naquele momento, Piauí, Maranhão integravam o chamado Norte do Brasil, um aliado de Portugal. Tanto é assim que na coroa portuguesa — Dom João VI em Lisboa, era pressionado pela elite portuguesa —, os comandantes militares das províncias do Norte eram nomeados diretamente por Portugal, não pela regência do Brasil, mesmo sendo o príncipe regente Dom Pedro I. Por isso os portugueses tinham um plano de salvar pelo menos o Norte do País. 
Foi importante o movimento que se iniciou no Ceará, na cidade de Granja, e, depois em Parnaíba. E aí se destacaram grandes figuras como Simplício Dias da Silva, o juiz de Direito João de Deus e Silva — naquela época juiz de direito era personalidade rara no Brasil, porque não havia escola de direito no Brasil, e teriam de estudar em Portugal, e João de Deus e Silva, paraense ilustre, tornou-se Juiz de direito em Parnaíba e, ao mesmo tempo, Presidente da Câmara Municipal da vila de São João da Parnaíba. 
Juntamente com Leonardo Castelo Branco e outras figuras importantes, resolveram declarar apoio a independência do Brasil. A estrutura militar da província estava instalada em Oeiras, então Capital, ali comandada pelo Major Fidié, nomeado pela coroa portuguesa, homem importante da elite do exército, posto que tinha ajudado a combater as tropas napoleônicas em Portugal. 
Precisamos estudar bem a saga de Simplício Dias da Silva. Assim como a historiografia brasileira por muitos anos errou , ao interpretar o gesto de Dom João VI como uma mera fuga das tropas do Exército de Napoleão, e não um plano estratégico, adredemente traçado com muita paciência e sagacidade pelo monarca lusitano. 
Simplicio Dias sabia que era inútil enfrentar os 1.600, 1700 soldados bem treinados, bem armados sob o comando de Fidié. Nesse caso, ele achou prudente se retirar para Granja no Ceará, não muito distante de Parnaíba, que já havia declarando sua adesão à Independência do Brasil. Nesse sentido, teve o apoio das articulações desenvolvidas por Leonardo Castello Branco, outra figura marcante daqueles dias dramáticos. A preocupação de Simplício Dias da Silva era preservar a população da Parnaíba. 
Simplício Dias sofreu consequências terríveis em razão de seu gesto. Era um dos homens mais ricos do então Norte do País, que também conhecia a Europa, onde havia estudado, um grande exportador de charqueada para a Europa. Simplício, teve o patrimônio quase todo devastado pelas tropas de Fidié, que se aproveitaram do seu patrimônio para alimentar as suas tropas e até fornece-lhes dinheiro. 
ois bem, rapidamente digo o seguinte: temos de estudar melhor a saga de Simplício Dias da Silva, que proporcionou Jenipapo, após as escaramuças em Piracuruca, porque quando Fidié se retira tranquilamente para Oeiras, achando que está consolidada a situação, 700 quilômetros de distância de Oeiras a Parnaíba, sua tropa cansada, alguns líderes ligados a Simplício Dias, como Leonardo Castelo Branco, foram para Piracuruca e lá incitaram sublevar a população no trajeto de regresso de Fidié, semeando batalha decisiva, de Jenipapo , em Campo Maior, para derrotar o respeitado oficial do Exército da coroa portuguesa. 
Eu quero aqui parabenizar o Governador Wellington Dias porque ele tem muito interesse em rediscutir bem a história piauiense que precisa ser, cada vez mais, realmente bem pensada, bem estudada pelos nossos historiadores piauienses, pelos historiadores brasileiros. 
A historiografia brasileira precisa cada vez mais entender a importância dessa saga histórica para consolidar nossa independência, a fim de que o Norte do País integrasse essa grande dimensão continental que é o nosso Brasil. 
Muito obrigado, Sr. Presidente. (Palmas) 
O SR. PRESIDENTE (ASSIS CARVALHO. PT - PI) - Obrigado, Deputado Paes Landim. 
Edição: Mário Pires Santana

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