quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Piauí segue sendo o terceiro do país em taxa de informalidade

Taxa de informalidade de 60% é maior que a média nacional, segundo IBGE. Procurador do Trabalho fala em "uberização do trabalho".
Por Maria Clara Estrêla, com informações do MPT-PI
Foto: Assis Fernandes/O Dia
Em novembro do ano de 2019, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelava em sua pesquisa anual sobre o mercado de trabalho, que o Piauí apresentava índices preocupantes no que respeita ao enquadramento profissional pelas leis trabalhistasA estatística era: 62,5% dos trabalhadores do estado atuavam na informalidade. Nesta terça (18) o Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou dados compilados também pelo IBGE relacionados ao desemprego no Estado e a realidade permanece a mesma: o Piauí segue sendo o terceiro no ranking nacional em trabalho informal.
O Ministério aponta que 60% dos trabalhadores no Piauí estão no trabalho informal sem nenhuma proteção das leis trabalhistas, um número muito acima dos 41,1% da média nacional. É uma extensa gama de trabalhadores desassistidos por benefícios previstos em lei como férias remuneradas, aposentadoria e seguro-desemprego.
O principal impulsionador desta realidade, segundo o MPT é justamente a alta do desemprego, que empurra estes profissionais a procurarem sustento às margens da CLT. No Piauí, a taxa de desemprego atingiu os 13%, conforme os dados divulgados, sendo maior inclusive que a média nacional de 11%. Em todo o país, já são 11,6 milhões de pessoas fora do mercado formal de trabalho. Dentre elas, 2,9 milhões procuram trabalho há dois anos ou mais. Embora as taxas de desemprego ainda sejam altas, houve uma diminuição de 0,4% em relação à média anual de 2018, que era de 12,3%. 
“Uberização do trabalho”
A queda da formalidade no mercado de trabalho leva também a outro fenômeno: a expansão de serviços via aplicativos, prestados por profissionais que trabalham por conta própria. O procurador do Trabalho no Piauí, Carlos Henrique Leite, refere-se a este processo como “uberização do trabalho”. 
Carlos Henrique Leite, procurador do Trabalho do Piauí - Foto: O Dia
O chefe do MPT no Piauí ressalta que, embora nesta modalidade o trabalhador tenha mais liberdade, ele não goza de determinados benefícios trabalhistas. Para Carlos Leite, “quanto mais informal é esse trabalho, mais suscetível está à condição análogo à de escravo”.
“Dizer que o Brasil está avançando nesse sentido é fazer uma leitura enviesada da realidade. Atualmente, a taxa média de trabalhadores informais nos países desenvolvidos é de 18%, quando no Brasil quase metade da população se dedica a esta forma de trabalho por necessidade”, pontuou Carlos Leite.
Fonte: portalodia.com
Edição:Mário Pires Santana 

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