terça-feira, 17 de março de 2020

A história nos traços

Por *Gustavo Rosal

Foi um poema de título "A pequena venezuelana", publicado no periódico impresso "O Piagüí", edição 148, de fevereiro, assinatura de "F Gerson Meneses", introduzido como professor e poeta. O texto discorre sentimentalmente sobre a noção de perder que o imigrante por necessidade adquire. Nos é dito que uma criança em tal condição esmola com a mãe em um semáforo daqui e que perdeu tudo. Aparte ficções, existe uma garota que pede junto a uma mulher em um semáforo, trajando vestes com estampas tradicionais dos Andes e expondo uma plaquinha: "venezolana"; acima dos vidros fechados, fumês e capacetes, a ordem vermelha no sinal aponta o cofre improvisado que se agita para ninguém sob a mão e o braço curto da mulher sentada. O seu vestido amassado no chão como um memorial de outras coisas de um outro espaço. A mulher, todavia, não parece lembrar-se de espaço algum, com a catadura de sol e com outras prioridades imediatas como a vigília da pequena entre carros e motocicletas impacientes. Criança que vai sorrindo de
vez em quando com os traços da família, traços que não lhe olvidam.
14.03.20.
Foto/Reprodução/Web
*Gustavo Rosal é escritor, especialmente poeta, cronista e contista. Participou das coletâneas "Versania" e "Contos entre Gerações", ambas de repercussão na cidade de Parnaíba, para além de outras publicações em jornais culturais, revistas, sites, blogs, redes sociais e afins, a exemplo do jornal "O Piagüí", o blog da Academia Parnaibana de Letras, o espaço "Escrever sem Fronteiras", de iniciativa do Sesc, "Trema", "Gueto", "Vacatussa". É bacharelando em Direito pela UESPI. Nascido em Teresina, no ano de 1996.
Edição: Mário Pires Santana

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