domingo, 22 de março de 2020

Dino a Bolsonaro: “Pare de brigar com governadores. Brigue contra o coronavírus”

Dino e outros governadores expressam incômodo com falta de liderança do governo federal
      O GOVERNADOR DO MARANHÃO, FLÁVIO DINO
As recentes trocas de farpas entre governadores do País e o presidente Jair Bolsonaro por conta do coronavírus têm aumentado conforme o coronavírus se alastra. Os poderes estaduais têm assumido a dianteira da crise, mas, segundo Bolsonaro, essas são formas de politicagem. Em resposta, governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), negou que o momento seja de disputa política e afirmou que a hora é de “brigar contra o coronavírus” em uma entrevista coletiva neste sábado 22.
“Não queremos fazer disputa política nesse momento, porque nós temos responsabilidade. Não é hora de brigar com a China, nem com governadores, é hora de brigar contra o vírus, contra a pandemia. Essa é uma atitude patriótica, séria. Ainda há tempo, mas é dever dele e só dele.”, criticou Dino.
O governador mencionou também a recente crise diplomática entre Brasil e China depois que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, afirmou que o país era o culpado pela pandemia do coronavírus.
Para Dino, os governadores estão esperando uma “coordenação nacional” que possa acrescentar, em nível estadual, medidas de combate contra o vírus. No Maranhão, já são dois casos confirmados.
Na entrevista coletiva deste sábado, fiz um convite público ao presidente da República: “Pare de brigar com os governadores ou com outros países. Brigue contra o vírus.”
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Todos os estados já têm casos confirmados
De acordo com as últimas atualizações vindas das secretarias estaduais de saúde, todos os estados já registraram casos confirmados da Covid-19. A região mais afetada é o Sudeste, que concentra casos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os governadores João Doria (PSDB) e Wilson Witzel (PSC) já foram criticados por Bolsonaro por adotarem medidas de contenção da população, como a quarentena obrigatória de 15 dias em SP, que inclui o fechamento do comércio.
Eles, no entanto, não foram os únicos a manifestarem incômodo com o tratamento dado pelo governo federal à crise, especialmente no tocante às orientações de Bolsonaro. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), afirmou que não pediria “licença” para agir no estado e criticou a ausência do presidente em uma teleconferência marcada com os governadores.
“Nós não temos nada contra o governo federal, nós não queremos agir contra o governo federal. Agora, nós não vamos ficar esperando o governo federal agir, nós vamos fazer o que cabe ao governo do estado e não vamos pedir licença para presidente, para ministro nem, para ninguém para proteger os paraenses. […] A sociedade não pode ficar à mercê da falta de informação e da falta de procedimento de seus líderes”, disse o governador em uma entrevista coletiva no sábado 21.
Fonte: CartaCapital
Edição: Mário Pires Santana

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