terça-feira, 28 de abril de 2020

O abraço e sua essencialidade

A gente abraçava filhos, pais, tios, tias, avós, amigos, amigas…
Por *Alvaro Mota 
Abraço/Foto/Divulgação
Os tempos atuais de distanciamento social nos tem impedido de fazer algo que, de tão normal em tempos normais, passava despercebido: o abraço. A gente abraçava filhos, pais, tios, tias, avós, amigos, amigas… O abraço é, de longe, a forma mais comum de demonstração de afeto pelos seres humanos, em qualquer parte do mundo.
Só que o abraço apertado, aquele que dois corpos de unem em calor e afeto, agora não é possível, porque pode representar um risco para as pessoas que se abraçam. Uma pena mesmo, porque pesquisas científicas respeitáveis já demonstraram que o ato de abraçar uma pessoa pode, sim, ter efeitos positivos para a saúde.
Lembro de cabeça uma série desses estudos, disponíveis a quem quiser buscá-los, com um aperta de teclas no Google. Resolvi pegar alguns desses efeitos e partilhar aqui, para, quem sabe, quando for possível voltar a abraçar, a gente se fortaleça na saúde através de um abraço.
Segundo um estudo desenvolvido por Sheldon Cohen, professor de Psicologia da Carnegie Mellon University, o abraço protege dos efeitos do estresse, da depressão e da ansiedade. O estudo foi publicado em 2014 na revista científica Psychological Science. Isso concorreu para que elas ficassem menos suscetíveis a adoecer.
Outro estudo, datado de 2013, da Universidade Médica de Viena, na Áustria, liderado pelo neurofisiologista Jürgen Sandkühler, comprovou que abraçar alguém pode, além de promover o bem-estar, reduzir a pressão arterial e melhorar a memória. 
Porém, esse efeito positivo só ocorre se o abraço for de uma pessoa de confiança, fato que se explica pela oxitocina liberada no organismo. O hormônio, quando presente na corrente sanguínea, reduz a pressão arterial e diminui a sensação de estresse e ansiedade.
O abraço alivia até dor física, segundo um estudo da a psicóloga Karen Grewn, da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA. A pesquisadora comprovou os efeitos que o carinho de um abraço pode aliviar a dor. Ela e sua equipe recrutaram mulheres que sofrem com enxaqueca e, durante os testes, as participantes relataram melhora significativa na dor de cabeça. A conclusão de Grewn foi de que os cérebro recebe primeiro os sinais de alívio em relação à sensação de dor.
Abraçar, então, parece ser algo muito benéfico, tanto que uma psicoterapeuta chamada Virginia Satir, nascida nos Estados Unidos, tem até uma bula que apresenta o abraço com dosagens para nosso bem-estar físicos e psíquico:
“Precisamos de quatro abraços por dia para sobreviver, de oito abraços por dia para nos manter, de 12 abraços por dia para crescer”.
De tão importante para nosso bem-estar, para a necessária demonstração de afeto e para que a vida se torne menos um fardo e mais um caminho de carinho e suavidade, o abraço tem até um dia: 22 de maio, uma data iniciada na Austrália quando Juan Mann criou a campanha do abraço grártis ( “free hugs campaign), em 2004, para oferecer às pessoas que passavam em Pitt Street Mall, uma rua famosa de Sydney, abraços gratuitos para influenciá-las a reproduzir esse gesto de carinho.
O que esperamos, então, é que no dia 22 de maio já se tenha conseguido reduzir os riscos do abraço físico causado pela covid-19 e possamos nos abraçar, para passar afeto e a esperança de uma vida melhor, mais saudável e mais feliz.
*Álvaro Fernando da Rocha Mota é advogado. Procurador do Estado. Ex-Presidente da OAB-PI. Mestre em Direito pela UFPE. Presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.
Fonte: Piauí Hoje 
Edição: Mário Pires Santana

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