domingo, 24 de maio de 2020

Coronavírus: aqueles que cuidam também precisam ser cuidados

Expostos a riscos físicos e a estresses e situações extremas, os profissionais da saúde vivem dilemas e também demandam atenção durante a pandemia.
Por Maria Clara Estrêla
Em situação de pandemia, aqueles que cuidam também precisar ser cuidados - Foto: Reprodução
Esta semana, o Piauí registrou a morte de uma profissional da saúde em decorrência do coronavírus. A técnica de enfermagem Solange Moutinho, 60 anos, atuava no HUT, mas estava afastada desde março por fazer parte do grupo de risco da covid-19. 
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Mesmo não atuando na linha de frente da pandemia, o fato da profissional ter morrido por causa da doença levantou um debate: os trabalhadores da saúde, sejam eles médicos, enfermeiros, técnicos, psicólogos e servidores dos hospitais, também devem receber atenção. Eles cuidam de quem precisa e justamente por isso, se expõem mais do que todo mundo aos riscos da doença.
E não são somente aos riscos físicos. Lidando com situações extremas, estes profissionais veem seu psicológico ser testado todos os dias nas alas covid. “Com a pandemia, acrescentou-se também demandas de profissionais precisando de atendimento, cansados, com medo de se contaminar e contaminar a família, pensando em abandonar o trabalho e as demandas de covid”, explica a psicóloga Julianna Sampaio.
Ela comenta que esta é sempre uma questão pertinente: quem cuida do cuidador? No setor de Psicologia do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde, em Parnaíba, ela diz que cada uma das profissionais tem desenvolvido suas próprias estratégias de cuidado, algumas fazendo terapia individual, outras procurando atividades que distraiam e desligue das demandas do hospital, mas sempre dividindo as angústias. 
A própria Julianna comenta sua situação: no momento, ela não pode contar diretamente com o apoio da família, que é toda de Teresina. Por um lado, ela diz que morar só diminui o medo de contaminar alguém. No entanto, ressalta que é preciso ficar ainda mais vigilante com a própria saúde mental.
“Tem sido dias difíceis para todos nós, pra quem está em casa sem poder sair e também sem poder demonstrar afeto, abraçar, beijar os seus. Pra quem está no hospital cuidando das pessoas, mas com medo de se contaminar, de levar contaminação pra casa. Para os pacientes internados nesse período por ter ou ser suspeita de covid. Pra mim está especialmente difícil, meus pais moram em Teresina, não sei quando vou poder vê-los. Mas tudo isso vai passar. Breve estaremos todos juntos e ainda mais fortes”, finaliza Julianna.
Fonte: portalodia.com
Edição: Mário Pires Santana

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