quarta-feira, 10 de junho de 2020

As crises e a comunicação da esquerda

Por Joaquim Ernesto Palhares - Diretor de Carta Maior
Caros amigos,
Começo esta mensagem pedindo desculpas porque o texto é enorme. Mas precisamos levar ao conhecimento de todos o posicionamento de Carta Maior diante da conjuntura nacional e internacional, e como participamos deste debate. Evidentemente, nossas atividades demandam recursos, e vocês verão adiante que as novas doações deram um incremento significativo às nossas atividades.
Por favor, tenham paciência e leiam até o final.
A campanha de doação
Graças à adesão de 406 leitores à campanha de doação, contamos hoje com 1.583 parceiros-doadores. Lembram? Éramos 1.177, em 4 de março, quando começamos a campanha. Foram mais de 135 novos doadores mensais, inquestionavelmente digno de nota, diante das crises sanitária, econômica e política que vivemos.
Por outro lado, é preciso reconhecer que esse esforço dos novos 406 parceiros-doadores se deu em virtude do forte vínculo que os leitores mantêm com a Carta Maior.
Caras amigas, o esforço que esses novos parceiros-doadores fizeram nos últimos três meses precisa ser valorizado. Estamos todos em dificuldades, também porque o nosso país está sendo destruído, mas precisamos tomar posição e a comunicação será decisiva.
Carta Maior quer cumprir com a parte que lhe cabe: dar a todos, conteúdos para a conscientização e ação política.
Como ensinou o poeta Antônio Carlos Belchior, “apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos..., precisamos acreditar que o novo sempre vem”.
É nisso que acreditamos.
Com essas novas doações nos aproximamos mais um pouco do ponto de equilíbrio de 3.000 parceiros-doadores mensais, que a Carta Maior necessita para evoluir e cumprir seu relevante papel.
Não esqueçam, se a crise sanitária for superada, no final do mês de janeiro de 2021 teremos mais uma versão do Fórum Social Mundial, desta vez, na cidade do México, próximo daquele muro odioso, para discutir os temas que oprimem o povo pobre do mundo.
Carta Maior estará lá para uma cobertura jornalística e de análise dos debates que ocorrerão. Pretendemos, inclusive, inscrever duas mesas: uma para debater “O SOCIALISMO QUE QUEREMOS”; outra para discutir “O FUTURO DAS ESQUERDAS NA AMÉRICA LATINA”, com participação de convidados nacionais e internacionais.
Nenhum país sairá sozinho dessa enorme crise, precisamos de nossos irmãos latino-americanos e eles precisam de nós. Imaginem Brasil, Argentina e México, com compromissos progressistas, lado a lado, liderando a recuperação social, econômica e política da América Latina, a nossa Grande Pátria, como consagrou Simão Bolivar.
Assim, por favor nos ajude para que possamos ajudar a todos. Vamos atingir o nosso ponto de equilíbrio de 3 mil parceiros-doadores mensais o mais rápido possível. Lembrem-se que com apenas R$ 1 real por dia vocês podem fazer a diferença. Se puder, doem mais (saibam aqui as formas de doação).
Informações sobre a aplicação dos recursos das novas doações.
Com os recursos advindos das doações, acima referidas, foi possível, nos últimos meses, elevar consideravelmente a visitação ao site: saímos de um letárgico número de 386.000 leitores em fevereiro passado para os 768.526 de hoje, ou seja, 100% de crescimento. O Twittão Maior alcançou impressionantes 7 milhões de visitantes/mês, inscrevam-se.
Vejam, com 406 novos parceiros-doadores, foi possível elevar a visitação ao site em 100% e fazer o Twittão maior alcançar impressionantes 7 milhões de seguidores nos últimos 28 dias. Daí a importância da contribuição de todos. Nós sabemos o “canhão” que temos em nossas mãos, precisamos de munição, dar visibilidade aos nossos conteúdos.
Certamente esse resultado está ligado ao esforço de comunicação que vimos realizando. Os novos recursos turbinaram editorias anteriores e nos permitiram criar novas. Hoje, nós disponibilizamos textos para nove editorias, com autores nacionais e internacionais.
Por exemplo, se você quiser saber hoje o passa pelo mundo, basta ler a Editoria de Pelo Mundo que é, sem falsa modéstia, a melhor da internet da América Latina.
Mas tem mais.
Clipping Mundo, algo inédito no país, é publicado de segunda a domingo, trazendo notícias, reportagens, análises e artigos internacionais, selecionados pelo economista Carlos Eduardo Fernandez Silveira, que acompanha os maiores jornais do mundo, desde a Ásia, Europa, Estados Unidos e América Latina, no atual momento, em virtude da crise sanitária, na revolta liderada pelo “Black Lives Matter” nos Estados Unidos, e também na crise do governo Bolsonaro.
As colunas semanais O Novo Velho Continente e suas Contradições, produzida semanalmente, desde Portugal, pelo excelente jornalista Celso Japiassu, analisa as questões da conturbada União Europeia e a coluna Nem Freud Explica, que conta com análises de cinco psicanalistas de grande renome nacional, analisando a política brasileira, já o governo Bolsonaro é tão confuso e contraditório que foi preciso pedir socorro a esses profissionais.
O especial A Pandemia do Capitalismo, com mais de 200 textos produzidos por intelectuais brasileiros e internacionais, onde fica cristalinamente demonstrado que essa crise sanitária tem nome e sobrenome: Capitalismo Globalizado. Sem dúvida é o principal conteúdo desse tema na imprensa brasileira.
Outro especial, De Maio de 1968 a Maio de 2020, com mais de trinta textos, analisa duas revoltas que mudaram o curso da história: a de 1968 que se espalhou pelo mundo; e esta que agora acompanhamos ao vivo, que possivelmente marca o fim do governo Trump e poderá levar de lambuja o governo protofascista de Bolsonaro, permitindo sonhar com a reinvenção das relações humanas no Brasil e no nosso planeta.
A novidade do nosso Podcasts, com a produção de quase 100 áudios com intelectuais e militantes do Brasil e do mundo. O último, inclusive, debate Keynes e sua atualidade para a crise econômica mundial, com os professores e economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Gabriel Galípolo.
A muito especial editoria Cartas do Mundo que traz aos leitores uma visão ampla dos principais acontecimentos de trinta e seis capitais do mundo, escritas por quem vive o dia a dia dessas cidades. Algo que vocês só encontram em Carta Maior.
Por fim, a editoria Cultura que também, sem falsa modéstia, é a melhor da imprensa brasileira, incluindo a grande imprensa. Basta visitá-la para confirmar. Já são mais de 700 resenhas de filmes políticos extraordinários, retratando a realidade de vários países.
A razão de tamanho esforço, com poucos recursos, não é outra senão a dedicação, o carinho, o respeito que Carta Maior tem com seus leitores. E, o profundo sentimento socialista que ainda habita neste velho editor, de 74 anos de idade. Um Brasil socialista acima de tudo e de todos!
“As favas com os escrúpulos”
Desde 2014 parece que o mundo caiu sobre nossas cabeças. O PSDB de Aécio Neves dizia que bastava tirar o PARTIDO DOS TRABALHADORES do governo que tudo iria para o lugar.
Perdeu a eleição, não aceitou o resultado, levantou suspeitas sobre o sistema de votação e iniciou a nova era de ódio no Brasil, agarrando-se a uma população fascista, que agora saiu do armário, mas que já existia desde 1964, quando protagonizou a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, em apoio ao golpe militar recém instalado.
O PMDB de Michel Temer e Eduardo Cunha alimentou ainda mais esse ódio. Com um papel sujo nas mãos, afirmavam que tinham um projeto para o país: “A Ponte para o Futuro” que mais se revelou uma pinguela para o abismo, com a mão criminosa do PSDB que, através de José Serra, conseguiu aprovar a PEC do fim do mundo, limitando os gastos públicos por 20 anos.
Hoje, o ainda senador está desaparecido, ninguém ouve falar nele. Possivelmente, em virtude do escândalo de milhões da Ecovias, que resultou num processo criminal que inclui outros líderes tucanos.
São momentos difíceis. Dilma foi retirada do governo, Lula cumpriu 580 dias de prisão, fruto de perseguição política perpetrada por um juiz parcial, sem escrúpulos, que durante mais de quatro anos comandou uma organização promotora de ilícitos composta por membros do Judiciário, do MPF e por parte da PF, com o objetivo de criminalizar o PARTIDO DOS TRABALHADORES, os movimentos sociais e principalmente afastar Lula da vida política.
As Organizações Globo tiveram papel decisivo nessa operação. Estabeleceram um “condomínio golpista”, com Moro e MPF, condenando as pessoas em suas páginas e vídeos, abrindo caminho para cinematográficos desempenhos do protagonista do juiz.
Omitiram, esconderam, fingiram não ver as viagens de Moro e Dallagnol aos Estados Unidos. Sempre souberam das reuniões com o Departamento de Estado Americano, com a CIA e outros organismos do fascismo intervencionista norte-americano. Participaram da destruição de grande parte do parque industrial brasileiro. E o que é pior: entregaram a Petrobras para os tubarões internacionais.
“As favas com os escrúpulos” devem ter dito os Marinhos, parafraseando o General Jarbas Passarinho, por ocasião da edição do Ato Institucional 5, em dezembro de 1968.
Participaram do “condomínio golpista” que tirou Dilma do governo. Apoiaram Michel Temer. Vetaram Lula e Fernando Haddad. E, mesmo desdenhada, a famiglia elegeu Bolsonaro pela garantia de que Paulo Guedes comandaria a economia e cuidaria de seus interesses; e que Moro os livraria de qualquer investigação criminal. Agora que o governo Bolsonaro acabou, querem se distanciar da lama que ajudaram a produzir.
Eles são primários...
Se retrocedêssemos a 2013/2018, iríamos encontrar nas manchetes, editoriais, colunas, reportagens e nas imagens dos veículos da Rede Globo, as provas da sua criminosa participação nos Golpes, quando apoiou e viabilizou a criminalização do Partido dos Trabalhadores e suas lideranças.
A denúncia do Intercept comprovou a manipulação e seu danoso resultado para a democracia brasileira. Não foi à toa que chegamos aonde chegamos. Algo inimaginável está ocorrendo agora no Brasil.
As Organizações Globo, com todo o seu poderio, declararam guerra aos fascistas, mas mantendo protegido o velhaco de Chicago, que representa os interesses da hipócrita e entreguista burguesia brasileira.
Sobre as revelações da reunião ministerial de 22 de abril, que marcam definitivamente a política brasileira, as Organizações Globo criticaram as falas dos ministros Salles, Damares, Weintraub, Marcelo Álvaro e outros, porém, não abriu o bico, não escreveu uma linha, sobre a fala do charlatão de Chicago, ex-empregado do assassino e ditador Pinochet, que disse:
“Nós vamos ganhar dinheiro, nós vamos ganhar dinheiro (repetiu), usando recursos públicos, pra salvar grandes companhias, agora nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequeninhas (...) Nós sabemos que somos diferentes deles (...) Nós vamos continuar aprofundando as reformas (...) Nós já notamos uma granada no bolso do inimigo, dois anos sem aumento de salário.”
E a rede Globo, nada...!
Pois bem, essa reunião pode ter sido o fim da aliança entre a burguesia nacional, a grande parte da oficialidade ativa das Forças Armadas brasileira e o bolsonarismo.
A construção de narrativas
Para Carta Maior continuar divulgando o pensamento da esquerda, precisamos estar técnica e profissionalmente preparados, com mais jornalistas e outras linguagens, cientes do que construímos até aqui.
Lembrem-se, Carta Maior foi fundada em 2001, deixando todos pasmos com a novidade apresentada no I Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Era o início da rede mundial de computadores.
Se levarmos em consideração os primeiros testes e experiências em conexão de computadores à distância, contabilizamos mais 40 anos de internet no mundo. Porém, somente na década de 1980 e, no Brasil, em 1995, ocorreu a expansão da rede e os primeiros registros de domínio ou sites comerciais.
A cemig.com.br é considerado o site mais antigo do Brasil, criado em 17 de agosto de 1995. Seis anos depois, em dia 25 de janeiro de 2001, data do início do I FSM de Porto Alegre, nascia Carta Maior.
Apenas para relembrar, o Facebook foi lançado em 2004, o YouTube em 2005, o Twitter em 2006, e o Instagram em 2010. Nós, no dia 25 de janeiro de 2021, completaremos 20 anos de existência e de pioneirismo.
Não vamos deixar a data passar em branco. Inclusive, porque temos muito a comemorar.
Há mais de 18 anos, entre 26 de agosto e 4 de setembro de 2002, Carta Maior fez a cobertura jornalística da Rio 10, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, na África do Sul, na cidade de Johanesburgo, de onde transmitimos ao vivo, via internet, com auxílio de nosso contratante, a ONU, parte das atividades paralelas organizadas pela sociedade civil mundial.
Crescemos e nos transformamos num veículo de grande credibilidade, com uma redação com dezoito jornalistas em São Paulo, um escritório com seis jornalistas em Brasília e representantes em Porto Alegre, Rio de Janeiro e Buenos Aires.
As adversidades de 2004 a 2006 nos obrigaram a fechar as redações, e a ter um número reduzido de jornalistas. Mais uma vez, a nossa vontade de viver nos fez prosseguir e recomeçamos a caminhada, chegando ao segundo mandato da presidenta Dilma.
O GOLPE que a retirou do governo nos colocou em uma nova crise, quase nos levando ao fechamento, uma vez que perdemos os contratos de publicidade então vigentes com a Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Federal. Fomos os primeiros a serem atingidos, sem nenhuma justificativa, evidentemente por sermos de esquerda.
Porém, os leitores não permitiram que o fechamento ocorresse e nos trouxeram até aqui.
Nossa tarefa agora é gigantesca, diante de mais uma crise, desta vez a maior de todas porque envolve uma pandemia, uma crise econômica iniciada em 2008 nos Estados Unidos, e uma crise política iniciada em 2014.
A direita conseguiu destruir grande parte do pouco que o Brasil edificou em 520 anos, desde Cabral. Nunca é demais lembrar que, ao longo desse meio século de existência, tivemos apenas 16 anos de governo progressista. Nos demais 504 anos, 358 foram de governos escravistas e os demais governados pela mesma Casa Grande com formas de exploração mais “modernas “.
O fato é que as consequências perversas da escravidão persistem em nosso país desde a chegada do primeiro navio negreiro, em 1530. Odiosa forma de exploração que insiste em existir como trabalho análogo ao de escravo e, sobretudo, no racismo estrutural da sociedade brasileira, responsável pelo encarceramento em massa e assassinado da nossa juventude negra e pobre.
Passaram do ponto
Por fim, fecho nossa carta com um belíssimo texto, de maio de 2015, do escritor e querido amigo Luiz Fernando Veríssimo, em que ele diz que o “capitalismo triunfante” é uma “questão de cozinha, o ponto”. Questiona Veríssimo: “Qual é o ponto em que a ganância humana deixa de ser um propulsor e volta a ser pecado?”
E responde:
“No Brasil de tantos escândalos, cabe a pergunta: qual é o ponto da ganância? Quando é que a mistura desanda, o molho queima e o que era para ser um pudim vira uma vergonha? (...) Há quem diga que o mercado sabe quando e como intervir para salvar a moral burguesa. Digo, o pudim. Claro que, para isso funcionar, é preciso confiar que todas as pessoas sejam, no fundo, social-democratas, ou capitalistas só até o ponto certo do cozimento. Ou acreditar que a ganância pode destruir a ideia de sociedade e ao mesmo tempo esperar que a ideia sobreviva nas pessoas, como uma espécie de nostálgica produção caseira (...) Desde que o capitalismo e a moral burguesa nasceram, ao mesmo tempo, vivem brigando. Só conseguem viver juntos com a hipocrisia, que teve uma das suas apoteoses na era vitoriana invocada pela Sra. Thatcher”.
Pois bem, o pudim do Bolsonaro passou do ponto e virou vergonha. E o de Trump, como tudo indica, também.
Caros companheiros e companheiras, mais um apelo: por favor, ajudem-nos e façam suas doações. Quem já contribuiu antes, se puder faça-o novamente, nos seremos muito gratos. (cliquem aqui)
E anotem o que digo: vocês irão se surpreender com a nova Carta Maior que nascerá se essa campanha de doação for bem sucedida. Mais alguns dias e vamos publicar o novo layout e designer na nossa página. Vocês ficarão orgulhosos de pertencer a algo tão profissional e verdadeiro.
Sigamos juntos!
Fonte Carta Maior
Edição: Mário Pires Santana

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