terça-feira, 9 de junho de 2020

Globo tenta ressuscitar terceira via contra Lula

Por *Emir Sader
Ciro Gomes, Marina Silva, FHC e Lula (Foto: Reprodução | Ricardo Stuckert)
O sociólogo Emir Sader faz referência às entrevistas de FHC, Ciro Gomes e Marina Silva à GloboNews, mediados por Miriam Leitão. "A direita perdeu de vez o sono, não tem calma, nem candidatos para disputar com o PT. Tenta isolar o Lula, como confissão que é a única alternativa de reconstrução democrática do país, poupando vidas ameaçadas pela pandemia e pela miséria".
Enquanto o governo de extrema direita tenta esconder cadáveres, a direita tradicional tenta ressuscitar cadáveres políticos – como FHC, Marina, Ciro – para recompor uma nova versão da terceira via, com a qual isolar o Lula. Primeiro, a direita liquidou seus candidatos tradicionais – Ciro, Marina, Alckmin -, porque não tinham cacife nas pesquisas para tentar derrotar o candidato do PT. Escolheu Bolsonaro, apesar de saber todas as desqualificações do candidato, porque era o único que tinha um mínimo básico de votos nas pesquisas, sobre o qual montar a operação monstruosa da mamadeira de piroca, com a qual elegeu seu candidato a presidente do Brasil.
Agora, quando seu escolhido fracassa, se esgotou rapidamente, não tem condições mínimas de dirigir o país, a direita retoma sua desesperada busca de líder que possa enfrentar o PT e o Lula.
O PT e o Lula são os fenômenos malditos para a direita brasileira. Desde que
surgiram o PT e o Lula, ela perde o sono diante do desespero de que eles viessem a dirigir o Brasil . Delfim Neto disse, quando esse perigo para eles se avizinhava: “Um dia o PT vai ter que ganhar, vai dirigir o Brasil, vai fracassar e poderemos dirigir o pais com calma”.
Ele estava certo na primeira parte da sua previsão. O PT ganhou, com Lula, só que não fracassou, nem eles tiveram calma para dirigir o Brasil. 
Lula ganhou, os governos do PT deram certo, eles perderam definitivamente o sono. O Brasil mudou, para muito melhor, contrariando o ideário do Consenso de Washington, do pensamento único, de que nada do que o PT fez seria possível e, se fosse, geraria o mais desastre da historia do Brasil.
Foram os governos mais virtuosos que o país já conheceu, com desenvolvimento economico e distribuição de renda, com estabilidade política e prestígio internacional. Tiveram que romper com a democracia – na qual foram derrotados quatro vezes sucessivas -, para tirar o PT do governo.
Bastou pouco tempo para o que o país fosse jogado na tragédia atual, sem governo legitimo, sem comando para lutar contra a pandemia, sem política econômica para enfrentar a recessão e o desemprego. O fantasma do PT e do Lula volta a assombrar a direita, que se vê diante do dilema de seguir com Bolsonaro e afogar-se abraçado a ele ou tentar alternativa.
De repente, a Globo anuncia mesa redonda dirigida por Miriam Leitão, com FHC, Marina e Ciro, para discutir uma frente de oposição ao Bolsonaro. O PT protesta, pela evidente discriminação contra o Haddad, obvio participante de um debate assim ou algum outro dirigente do PT.
Depois de um chaníssimo debate, sem nenhuma audiência num domingo à tarde de quarentenas, fica clara a operação: ressuscitar uma espécie de terceira via entre Bolsonaro e o PT, para lançar uma suposta frente ampla contra o governo, sem o PT. 
Na hora em que seu escolhido despenca nas pesquisas e se aproxima de um desenlace, a direita oscila entre Mourão ou esses cadáveres políticos, que ela jogou no lixo quando escolheu o Bolsonaro, e que agora Miriam Leitão tenta fazer respiração boca a boca, para ressuscitá-los.
Dizem eles, destemperados na voz do Ciro, que quem não estiver com eles, está liquidado politicamente, estará fora da luta democrática para derrubar o Bolsonaro. 
Justo eles que, em Paris ou em Higienópolis, se abstiveram no segundo turno e tem as mãos sujas pela eleição do Bolsonaro. 
Porque, bons políticos da direita brasileira, topam tudo contanto que o PT não vote ao governo. Porque o PT escancarou, na pratica, que essa terceira via não existe, que a única via de futuro para o Brasil é aquela que o PT colocou em pratica e que agora tem que ser atualizada e se apresentar como favorita para voltar.
Mais cedo do que imaginava, diante do fracasso precoce do Bolsonaro, a direita se lança de novo à busca do anti-PT, do anti-Lula. Seu cardápio de alternativas está escasso, teve que buscar a velha lista de nomes derrotados pelo PT, sem coragem de apelar para o Huck ou qualquer outro aventureiro mais.
Os tucanos se esgotaram definitivamente, seu eleitorado se radicalizou e votou no Bolsonaro. FHC agora esta reduzido a candidato a participante de uma terceira via, junto a nomes que se esgotaram e se perderam no tempo. Só o PT e o Lula são alternativas para o Brasil. Daí o desespero da direita. 
Daí a operação global do boca a boca com cadáveres políticos, enquanto o governo esconde cadáveres. A direita perdeu de vez o sono, não tem calma, nem candidatos para disputar com o PT. Tenta isolar o Lula, como confissão que é a única alternativa de reconstrução democrática do país, poupando vidas ameaçadas pela pandemia e pela miséria.
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*Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros
Fonte: Brasil 247
Grifos do Editor
Edição: Mário Pires Santana

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